Fórum NS - Discussões sobre animes, mangás e mais!
Bem vindo ao maior fórum de animes de Brasil & Portugal!

Não deixe de registrar sua conta para poder participar do fórum! Leia nossa POLÍTICA DE PRIVACIDADE e configure suas opções de privacidade: https://www.forumnsanimes.com/privacy (ao acessar nosso site, você aceita nossas políticas de privacidade)

Poste 5 mensagens no fórum para ativar o seu primeiro rank e começar sua jornada! Aqui, você irá fazer amigos, participar de eventos, subir de rank e até ganhar prêmios!

Fórum NS - Discussões sobre animes, mangás e mais!
Bem vindo ao maior fórum de animes de Brasil & Portugal!

Não deixe de registrar sua conta para poder participar do fórum! Leia nossa POLÍTICA DE PRIVACIDADE e configure suas opções de privacidade: https://www.forumnsanimes.com/privacy (ao acessar nosso site, você aceita nossas políticas de privacidade)

Poste 5 mensagens no fórum para ativar o seu primeiro rank e começar sua jornada! Aqui, você irá fazer amigos, participar de eventos, subir de rank e até ganhar prêmios!

Fórum NS - Discussões sobre animes, mangás e mais!
Gostaria de reagir a esta mensagem? Crie uma conta em poucos cliques ou inicie sessão para continuar.

Fórum NS - Discussões sobre animes, mangás e mais! Entrar

descriptionA NÉVOA RUBRA E OS MISTÉRIOS DA VILA DA CHUVA  EmptyA NÉVOA RUBRA E OS MISTÉRIOS DA VILA DA CHUVA

more_horiz
Antes de começar a contar essa história, gostaria de perguntar se já sentiram aquele frio na barriga, uma mistura de ansiedade e medo? Não são emoções desconhecidas. Só que hoje é diferente, bem diferente. Diferente da forma que eu havia experienciado essas emoções antes. A ansiedade aqui é constante, uma vozinha lá no fundo que questiona se vocês vão gostar. Meu coração está acelerado, minhas mãos estão trêmulas e minha mente parece um campo de batalha entre a excitação e o medo. Mas a decisão já foi tomada. Então, só posso esperar que gostem.

O título da história já revela muito, e com ele deixo com vocês os dois primeiros capítulos.







CAPÍTULO 1: SOB A CHUVA DE SANGUE E SEGREDOS

A luz opaca dos lustres no teto lançava um brilho suave sobre o salão luxuoso, refletindo nas taças de vinho e nas joias ostentadas pelos ricos espectadores. As paredes eram adornadas com tapeçarias de ouro e vermelho, dando ao ambiente um ar de opulência decadente. No centro, uma arena circular era cercada por grades de ferro douradas, onde as lutas clandestinas aconteciam sob os olhares atentos e gananciosos dos apostadores.

Entre eles, um homem alto e esguio com cabelos negros longos e olhos amarelos claros observava tudo com uma calma calculada. Sua postura elegante e confiante fazia com que os outros o respeitassem, sem saber que sua verdadeira identidade era bem diferente da que ele apresentava. Ele era um dos infiltrados, uma sombra entre as sombras, aguardando o momento certo para agir.

Na arena, a próxima luta estava prestes a começar. Uma mulher sinuosa com cabelos longos e claros entrou no ringue, seu olhar fixo e determinado. Ela se chamava Hanao, pelo menos para aqueles que assistiam. Sua verdadeira identidade, estava escondida sob o disfarce cuidadosamente criado. Vestia uma luva adaptada para manipulação de fios, sua arma secreta contra as adversárias.

Do outro lado, duas Kunoichi entraram na arena. A primeira, uma mulher alta e musculosa, empunhava espadas duplas que reluziam sob a luz. A segunda, mais ágil e esguia, segurava uma lança longa e afiada. Ambas lançaram olhares desdenhosos para Hanao, subestimando sua aparente fragilidade.

O gongo soou, e a luta começou.

A Kunoichi com espadas duplas avançou primeiro, seus movimentos rápidos e precisos, cortando o ar com um assobio mortal. Hanao desviou agilmente, suas luvas cintilando enquanto manipulava fios quase invisíveis. Com um movimento rápido, ela lançou os fios em direção às espadas, tentando imobilizá-las. Mas a adversária era experiente e se desvencilhou com um giro elegante, atacando novamente.

Enquanto isso, a mulher com a lança aproveitou a abertura e atacou pela lateral, desferindo um golpe direto ao torso de Hanao. Hanao saltou para trás, os fios de sua luva entrelaçando-se rapidamente para formar uma barreira improvisada. A lança atravessou os fios, mas perdeu força, permitindo que ela se esquivasse por pouco.

A multidão vibrava, apostando freneticamente. Ela sabia que precisava de uma estratégia. Decidiu focar na Kunoichi com a lança, que parecia ser a mais imprevisível. Desviou de mais um golpe das espadas duplas e lançou um fio em direção à lança, envolvendo a ponta afiada e puxando com força. A adversária tentou resistir, mas perdeu o equilíbrio, tropeçando para frente.

Aproveitando a oportunidade, ela girou rapidamente, seus fios se entrelaçando em um movimento elegante, e puxou a adversário para si, desferindo um golpe direto com a luva no rosto da adversária. O impacto foi forte, jogando-a para trás, atordoada.

Agora restava a Kunoichi com espadas duplas. Ela avançou com uma fúria renovada, desferindo uma série de golpes rápidos. Hanao se esquivava com agilidade, seus fios dançando ao redor das lâminas, desviando os ataques com precisão. Em um movimento rápido, ela conseguiu enlaçar um dos pulsos da adversária, puxando com força e desarmando-a de uma das espadas.

A multidão prendia a respiração, hipnotizada pela coreografia intensa da batalha. Ela manteve a pressão, seus fios manipulando o ambiente ao seu favor, prendendo a Kunoichi em uma rede complexa. Com um puxão final, desarmou a adversária completamente e a jogou ao chão, imobilizando-a com seus fios.

O silêncio dominou o salão por um instante antes que a multidão explodisse em aplausos e gritos. Hanao, ofegante, olhou ao redor, seus olhos brilhando com determinação. Havia vencido a primeira batalha, mas sabia que a verdadeira luta estava apenas começando.

O homem alto e esguio observava do alto, seus olhos amarelos brilhando com satisfação. A missão estava em andamento, e a primeira etapa tinha sido um sucesso. Mas eles ainda precisavam descobrir mais sobre até onde esse tipo de show de sangue e violência se desenrolava.

O entusiasmo dos apostadores era palpável no ar. A vitória de Hanao na primeira luta tinha aquecido os ânimos e despertado a curiosidade sobre sua habilidade. Murmúrios e especulações percorriam o salão enquanto os olhos atentos se fixavam novamente na arena. Agora, uma nova adversária se preparava para enfrentar a misteriosa lutadora. A Kunoichi que entrava na arena era uma figura imponente, portando um chicote com uma lâmina na ponta que reluzia perigosamente à luz. Havia algo de sinistro em seus movimentos, e um brilho gelado em seus olhos.

Hanao se posicionou no centro da arena, os fios de sua luva prontos para responder a qualquer ataque. O gongo soou, e a segunda luta começou.

A Kunoichi balançou o chicote, que estalou no ar como um trovão. Num movimento rápido, a lâmina na ponta do chicote cortou o espaço entre elas, e Hanao mal teve tempo de se esquivar. O chicote não era sua única arma; a adversária começou a usar técnicas Suiton, projetando feixes de água comprimida com precisão mortal. Um dos feixes atingiu um apostador, matando-o instantaneamente, e o sangue respingou no chão da arena, causando pânico entre os espectadores.

Hanao sabia que precisava ser extremamente cuidadosa. Usando seus fios, ela tentou enlaçar o chicote, mas a Kunoichi era hábil e conseguiu se desvencilhar, lançando outro feixe de água que Hanao mal conseguiu evitar. Com um salto ágil, ela se reposicionou, calculando seu próximo movimento. A cada estalo do chicote, um novo feixe de água era disparado, forçando Hanao a manter-se em constante movimento.

Enquanto a batalha se desenrolava na arena, no andar superior do salão, o homem misterioso, observava atentamente. Ele tinha outras preocupações agora, pois Giyu do clã Ugatsu se aproximara, com um sorriso astuto no rosto.

— Vejo que está interessado em um de nossos combates. — Disse Giyu, suas palavras impregnadas de uma confiança calculada. — Mas tenho algo ainda mais interessante para lhe oferecer. Um projeto que irá revolucionar o mundo ninja.

Ele ergueu uma sobrancelha, fingindo interesse. — É mesmo? Ouvi falar que vocês estão vendendo algo tão grandioso que me faria investir cada moeda da minha fortuna.

Giyu sorriu, seus olhos brilhando com uma mistura de orgulho e sigilo. — Chamamos de 'A Chave do Deus Morto'. É uma tecnologia armamentista sem precedentes, algo que transformará nossa vila em uma potência incontestável.

— A Chave do Deus Morto? — Ele repetiu, tentando soar intrigado. — Isso soa muito bem. Como vocês conseguiram algo assim?

— O segredo está nos vestígios deixados pelo Deus, Nagato Uzumaki. — Explicou Giyu. — Após sua morte, nossa vila passou por tempos turbulentos. Mas a queda de Hanzō foi apenas o início de uma mudança no modo como o mundo se rendeu e se fez refém do conceito de ninjas. Os restos do poder de Nagato e os segredos tecnológicos deixados por ele será a chave para nossa salvação.

Ele fez uma pausa, absorvendo a informação. — E como isso afetou Amegakure?

— A queda de Hanzō trouxe caos, mas também uma oportunidade de renascimento. — Disse Giyu, sua voz ganhando um tom reverente. — Nagato também morreu, mas não antes de nos entregar o poder e conhecimento necessário para nos reerguemos das cinzas. Sob nova liderança e com a tecnologia que descobrimos, estamos prontos para nos tornar uma força imbatível.

De volta à arena, Hanao estava lutando para se manter à frente dos ataques incessantes de sua adversária. A Kunoichi balançou o chicote mais uma vez, e um feixe de água passou tão perto que cortou uma mecha dos cabelos de Hanao. Mas essa proximidade deu a ela uma ideia. Usando seus fios, ela criou uma teia complexa e invisível ao redor de si, usando as grades de ferro como pontos de fixação, uma armadilha pronta para capturar a Kunoichi no próximo ataque.

Com um movimento rápido, a Kunoichi adversária lançou o chicote mais uma vez, e Hanao desviou, conduzindo o ataque direto para sua teia de fios. O chicote ficou preso, e antes que a adversária pudesse reagir, Hanao puxou com força, desarmando-a. A Kunoichi tentou usar outra técnica Suiton, mas Hanao estava preparada. Com um movimento ágil, ela lançou seus fios, envolvendo a adversária e imobilizando-a completamente.

A multidão explodiu em aplausos e gritos de entusiasmo. Hanao, ofegante, mas vitoriosa, olhou ao redor, seu olhar determinado e implacável. Mais uma vez, ela havia triunfado, mas sabia que a verdadeira missão estava longe de ser concluída.

Enquanto Giyu continuava a falar, o homem misterioso sorria internamente. Cada palavra do organizador era uma peça do quebra-cabeça que ele e a sua companheira precisavam para desvendar o mistério do novo projeto armamentista. E com cada vitória de Hanao, eles se aproximavam mais de seu objetivo.

— Fale-me mais sobre essa 'Chave do Deus Morto'. — Disse Suigetsu, inclinando-se para frente, seus olhos amarelos brilhando com interesse. — Estou ansioso para saber como posso me beneficiar desse poder.

Giyu sorriu, satisfeito com o interesse de um dos maiores financiadores das lutas clandestinas em Amegakure. — Claro, mas primeiro, vamos brindar a isso. A era de Amegakure está apenas começando.

Enquanto o brinde se fazia, as sombras da conspiração se aprofundavam, e a noite de sombras e segredos continuava a desenrolar seu enredo sombrio e perigoso.


Última edição por L⍱scivi⍱ em 20/6/2024, 22:15, editado 1 vez(es)

descriptionA NÉVOA RUBRA E OS MISTÉRIOS DA VILA DA CHUVA  EmptyRe: A NÉVOA RUBRA E OS MISTÉRIOS DA VILA DA CHUVA

more_horiz
CAPÍTULO 2: UMA VALSA MORTAL


A excitação no salão atingia um ponto máximo. O sangue derramado e a vitória esmagadora de Hanao tinham inflamado os ânimos dos apostadores, e a atmosfera estava carregada de adrenalina e tensão. Os gritos e aplausos ecoavam pelas paredes luxuosas, e os olhos dos espectadores brilhavam com uma mistura de fascinação e avidez.

Aproveitando o momento, Giyu se aproximou do centro da atenção, subindo em um palco elevado. Ele ergueu uma mão para silenciar a multidão, e seu sorriso astuto refletia a certeza de que tinha todos na palma de sua mão. Era a hora de fazer o que havia sido pago para fazer.

— Senhoras e senhores...! — Começou, sua voz ressoando com autoridade pelo salão. — Nesta noite memorável, tenho a honra de apresentar a vocês um vislumbre do futuro, um protótipo do projeto que revolucionará o mundo ninja. Permitam-me apresentar... Elas, as caçadoras.

Com um gesto dramático, Giyu indicou a entrada da arena, e três figuras sombrias emergiram. O impacto visual foi instantâneo. As três mulheres eram uma visão perturbadora e impressionante, suas formas humanas misturadas com partes cibernéticas que brilhavam.

A primeira caçadora tinha as pernas substituídas por lâminas afiadas que reluziam ameaçadoramente. Seu tronco era adaptado para suportar uma cauda gigante, pesada e destrutiva, que se arrastava atrás dela como um chicote letal. Seus braços, quase completamente mecânicos, terminavam em garras capazes de cortar aço. Um capacete cibernético cobria seus olhos, e pequenos fios elétricos visíveis pulsavam com energia, controlando-a como um fantoche.

A segunda caçadora tinha toda a parte do corpo abaixo dos seios substituída por um chassi gigantesco que lembrava a forma de uma aranha. As pernas mecânicas terminavam em garra única e poderosa, e seu movimento era uma mistura de fluidez e precisão mortal. Seu capacete também pulsava com energia, mantendo-a sob controle total.

A terceira caçadora era uma visão ainda mais grotesca. Seus braços foram substituídos por tentáculos mecânicos que se esticavam indefinidamente, ondulando no ar como serpentes metálicas. O capacete cibernético na cabeça dela completava a imagem aterrorizante de uma arma viva.

Giyu continuou, com os olhos brilhando de orgulho. — Essas mulheres eram criminosas, julgadas e condenadas. Agora, elas servem aos propósitos de nossa vila. A tecnologia que vocês veem diante de seus olhos é apenas o começo da revolução que está por vir. Com essas armas cibernéticas, Amegakure se tornará uma força imbatível.

Os olhos da figura misteriosa ao lado de Giyu, disfarçado, estreitaram-se, enquanto ele observava as três. A brutalidade da transformação e o controle absoluto exercido sobre elas eram um testemunho do que Amegakure estava disposta a fazer para alcançar poder. Ele precisaria relatar isso, e com urgência.

Ainda se recuperando da luta anterior, Hanao observava com atenção. As caçadoras eram inimigas formidáveis, e se tivesse que enfrentá-las, precisaria de toda sua astúcia e habilidade.

A arena estava envolta em uma atmosfera eletrizante. Os gritos e aplausos dos espectadores ecoavam pelo salão, enquanto Hanao se preparava para a luta mais difícil de sua vida. As três caçadoras cibernéticas avançavam em sua direção, cada uma personificação da fusão brutal entre tecnologia e carne.

A primeira caçadora, nomeada de Aelo, com suas pernas lâminas e cauda destrutiva, foi a primeira a atacar. Sua velocidade era quase cegante. Num piscar de olhos, ela estava em cima de Hanao, desferindo golpes rápidos e mortais. A cauda cortou o ar com um silvo mortal, atingindo Hanao no torso e jogando-a para trás. O impacto foi tão forte que ela cuspiu sangue, sentindo algumas costelas se romperem.

Hanao mal teve tempo de recuperar o fôlego antes que a caçadora atacasse novamente, suas garras mecânicas brilhando com uma ameaça afiada. Com movimentos rápidos, Hanao envolveu as partes atingidas com chakra, mitigando parte do dano, mas a dor era intensa. Os fios de sua luva foram cortados facilmente pelas lâminas, forçando-a a adotar uma defesa mais estratégica.

Enquanto a primeira caçadora recuava para um novo ataque, a segunda caçadora, Celeno, se moveu com a graça mortífera de uma aranha. Seu chassi gigantesco avançava com uma rapidez surpreendente, suas garras prontas para esmagar Hanao. A cada salto, ela disparava dispositivos ocultos – agulhas venenosas, explosivos atordoantes e bombas de fumaça. Hanao desviava com dificuldade, sentindo o veneno corroendo suas defesas e as explosões atordoando seus sentidos.

A terceira caçadora, Ocípete, com seus tentáculos mecânicos, era uma presença constante, tentando capturar Hanao por trás. Os tentáculos se estendiam com uma rapidez assustadora, quase capturando-a várias vezes. Hanao sabia que precisava se livrar de pelo menos uma delas para ter alguma chance.

Concentrando seu chakra, Hanao usou uma técnica de amplificação física, aumentando sua força e velocidade. Com um salto ágil, ela evitou uma investida da primeira caçadora e se virou para a terceira, lançando seus fios em um movimento rápido e preciso. Os tentáculos mecânicos se entrelaçaram nos fios, e antes que a caçadora pudesse reagir, Hanao puxou com força, desequilibrando-a.

Aproveitando a abertura, Hanao concentrou todo seu chakra em um golpe devastador. Seus fios envolveram a cabeça da terceira caçadora e, com um movimento rápido e brutal, ela arrancou a cabeça desta. O corpo mecânico caiu ao chão, inerte.

Mas a vitória teve um preço. A segunda caçadora, aproveitando a distração de Hanao, pulou sobre ela, suas garras prontas para pisoteá-la. Hanao tentou desviar, mas não foi rápida o suficiente. As garras atingiram seu ombro, rasgando carne e músculo. Ela gritou de dor, sentindo a fraqueza tomar conta de seu corpo. O veneno das agulhas começava a fazer efeito, e sua visão ficava turva. Em desespero, ela mordia seu antebraço até tingir os lábios de um vermelho sangue.

A primeira caçadora, vendo Hanao ferida, avançou com a intenção de terminar a luta. Sua cauda balançou com força, pronta para desferir o golpe final. Hanao tentou se levantar, mas suas forças estavam esgotadas.

No momento em que a cauda estava prestes a atingi-la, um grito de raiva cortou o ar. A figura misteriosa que se manteve observando o desenrolar das lutas durante todo este tempo, revela sua verdadeira identidade, saltando para a arena. Com um movimento rápido, ele segurou a cauda da caçadora, seu corpo transformando-se em água para absorver o impacto. Com uma força incrível, ele torceu a cauda, quebrando o mecanismo e com mais um golpe a caçadora é jogada para trás com sua face completamente deformada.

A segunda caçadora, surpreendida pela intervenção, tentou pisotear a mulher caída ao chão novamente. Mas ele estava pronto. Avançando com velocidade surpreendente, segurando a perna mecânica da caçadora e destruindo-a com um golpe poderoso. A perna se partiu em pedaços, e no instante seguinte, em uma velocidade tão assombrosa que ninguém foi capaz de ver o que acontecia: ela também é partida ao meio junto ao chassi mecânico.

Os espectadores ficaram em silêncio, chocados com a reviravolta. Ele então olha para sua companheira, seus olhos brilhando com uma mistura de preocupação e raiva.

— Você lutou bem. — Disse ele, sua voz firme e embargada de fúria. — Mas agora é minha vez.

descriptionA NÉVOA RUBRA E OS MISTÉRIOS DA VILA DA CHUVA  EmptyRe: A NÉVOA RUBRA E OS MISTÉRIOS DA VILA DA CHUVA

more_horiz
CAPÍTULO 3: REVELAÇÕES SOB AS LUZES DA LUA ESCARLATE

O salão estava em silêncio, o choque ainda reverberando entre os espectadores. O impacto da intervenção daquele homem havia mudado o curso da noite. Com Hanao ferida, mas segura, e as caçadoras cibernéticas mortas, a tensão no ar era palpável.

Mas antes que alguém pudesse esperar qualquer ação daquele homem. A técnica de transformação, o Henge no Jutsu, que ele e Hanao haviam usado, começou a se desfazer. Lentamente, suas aparências mudavam, revelando suas verdadeiras identidades.

Ele sentiu um familiar formigamento enquanto seus cabelos pretos e longos começavam a encurtar e assumir a cor alva característica. Seus olhos, que antes brilhavam em um tom amarelo pálido, gradualmente mudaram para o violeta intenso. A transformação estava revelando o verdadeiro Suigetsu Hōzuki.

Karin, também, estava passando pela mesma mudança. Seu disfarce de Hanao começou a se desvanecer. Seus cabelos longos e claros voltaram à sua cor original, um vibrante vermelho escarlate, e seus olhos verdes brilhantes mudaram para o vermelho profundo que marcava sua herança Uzumaki. O salão ficou em silêncio ao reconhecer a dupla.

Os murmúrios começaram a se espalhar entre os espectadores. — Eles são da Taka... seguidores de Sasuke Uchiha! — A revelação causou um rebuliço entre os presentes, a tensão escalando rapidamente.

Giyu, ficou pálido por um momento, mas rapidamente recuperou a compostura. — Então, era tudo uma farsa! Vocês vieram para espionar nosso projeto?

Suigetsu sorriu, seus dentes afiados brilhando. — Acho que agora você sabe quem somos. E sabe que não vamos sair daqui sem as informações que queremos.

Sob as luzes do salão luxuoso, com o sangue ainda manchando o chão e o silêncio pesado no ar, a noite de segredos e batalhas chegava a um clímax. O salão estava em silêncio mortal, as luzes lançando sombras longas sobre os corpos inertes das três caçadoras.

Suigetsu, com a Kubikiribōchō descansando sobre seus ombros, assumiu uma postura altiva e intimidadora. Sua presença dominava o espaço, e o brilho feroz em seus olhos era suficiente para silenciar qualquer murmúrio de desafio.

— Todos vocês... — Começou ele, sua voz cortante como a lâmina que carregava. — assistiram a esta demonstração de poder. Mas agora, vou mostrar algo que vocês nunca esquecerão.

Com um movimento preciso, Suigetsu levantou a mão livre, formando o selo do Tigre (寅, Tora). A quantidade de chakra que ele começou a condensar era imensa, fazendo o ar vibrar ao seu redor.

Num piscar de olhos, ondas de água começaram a surgir abaixo dos seus pés, enchendo o salão com uma força avassaladora. A água se espalhou rapidamente, engolfando tudo e todos em seu caminho. O poder de Suigetsu sobre a água era absoluto, e ele controlava as ondas com precisão letal.

Os espectadores e guardas tentaram fugir, mas a força das ondas era implacável. Em questão de segundos, a água preencheu todo o espaço, submergindo cada pessoa, cada objeto, em um turbilhão caótico. Os gritos foram rapidamente silenciados pela força esmagadora das ondas.

Karin, também foi envolvida pela água, mas confiando em seu companheiro para se manter segura no meio do caos. Ela sentiu o chakra de Suigetsu pulsando ao seu redor, um farol de poder que guiava suas ações.

E então, com um movimento rápido e decisivo, Suigetsu fez a água retornar com a mesma velocidade e força. As ondas recuaram, carregando consigo todos aqueles que haviam sido engolfados. O salão, que há poucos momentos estava repleto de vida, gritos e movimento, agora estava completamente vazio. Cada pessoa, cada guarda, havia sido levado pelas águas, desaparecendo sem deixar rastro.

O lugar estava um caos absoluto. Móveis revirados, decorações destruídas, poças de água espalhadas por todo lado. Mas não havia ninguém. Suigetsu e Karin também haviam desaparecido, como se nunca tivessem estado ali.

O salão luxuoso de Amegakure estava vazio, um testemunho silencioso do poder avassalador de Suigetsu Hōzuki e da determinação implacável de Karin Uzumaki.

........

A luz fria da manhã iluminava as ruas de Amegakure, refletindo nas superfícies molhadas e nos telhados encharcados pela recente chuva. O esquadrão de agentes de Amegakure, liderado por Tetsuji, uma mulher com olhos biônicos que brilhavam com uma luz artificial, estava reunido na entrada do salão luxuoso que havia sido palco do caos da noite anterior.

Tetsuji observava a cena de devastação com uma expressão séria. Sua equipe, composta por alguns dos mais habilidosos ninjas da vila, estava espalhada pelo local, analisando cada detalhe e coletando qualquer pista que pudesse explicar o que havia acontecido.

— Relatório! — Ordenou Tetsuji, sua voz fria e reverberante.

Um dos agentes se aproximou, segurando um dispositivo de rastreamento. — Ainda não encontramos sinais de vida dentro do salão. Também não há rastros de quem possa ter feito isso e como ele conseguiu desaparecer com uma multidão tão grande de pessoas. As marcas de água são evidentes em todas as superfícies. Alguém com grande habilidade de manipulação de água esteve aqui.

Tetsuji franziu a testa. — E Giyu?

— Desaparecido. Não há corpo, nem traços de luta além dos danos causados pela água. Quem quer que tenha feito isso foi extremamente eficiente.

Outro agente se aproximou, trazendo um conjunto de documentos parcialmente molhados. — Estes registros mostram que havia um evento de lutas acontecendo com vários apostadores e financiadores do evento. Parece que alguém se infiltrou e causou todo esse caos.

Tetsuji ponderou por um momento. — Quais vilas ou organizações têm habilidades para realizar um ataque tão direto contra nós? E por quê?

Os agentes começaram a discutir possibilidades. — Podem ser os remanescentes e admiradores da Akatsuki, pois Amegakure está estrategicamente bem localizada. Ou talvez seja uma ação de Konoha ou outra grande vila interessada em descobrir nossa movimentação e tentando enfraquecer nossa posição.

— Não podemos descartar a possibilidade de ser uma organização mercenária com acesso a ninjas de alto nível. — Sugeriu outro agente.

Tetsuji ergueu a mão, silenciando-os. — Independentemente de quem seja, precisamos reforçar toda a vigilância e monitoramento da vila. Dobrem as patrulhas e intensifiquem as verificações de entrada e saída. Rastreiem as assinaturas de chakra deixadas por qualquer rastro de ninjutsu. Não podemos permitir que escapem.

........

Longe dali, em um lugar escuro e insalubre, Suigetsu estava ajoelhado ao lado de Karin. Ela estava deitada em uma superfície improvisada, suando e se contorcendo de dor. O veneno injetado por uma das caçadoras estava causando febre alta e uma dor excruciante.

Suigetsu usava suas habilidades de manipulação de água para tentar extrair o veneno. Ele havia feito um pequeno corte na altura do ventre de Karin, concentrando seu chakra para reunir o veneno espalhado em um ponto.

— Segura firme, Karin. — Murmurou ele, sua voz suave, mas firme. — Isso vai doer, mas precisamos tirar esse veneno de você.

Karin, com o rosto contorcido de dor, apenas assentiu. Ela confiava em Suigetsu, mas a dor era quase insuportável.

Com uma concentração intensa, Suigetsu manipulou a água dentro do corpo de Karin, reunindo o veneno em pequenas gotas. Ele as comprimiu, forçando-as a sair através do corte que havia feito. Cada movimento causava uma onda de dor que fazia Karin se contorcer, mas ela resistia, sabendo que essa era a única maneira de sobreviver.

O processo parecia durar uma eternidade. Suigetsu, suando de concentração, finalmente conseguiu retirar a maior parte do veneno. As gotas verdes e viscosas pingaram do corte, caindo em um recipiente que ele havia preparado.

— Pronto. — Disse ele finalmente, limpando o suor da testa. — O pior já passou. Agora só precisamos cuidar dos seus ferimentos e descansar.

Karin, ainda ofegante e suando, sorriu fracamente.

descriptionA NÉVOA RUBRA E OS MISTÉRIOS DA VILA DA CHUVA  EmptyRe: A NÉVOA RUBRA E OS MISTÉRIOS DA VILA DA CHUVA

more_horiz
CAPÍTULO 4: MAR, NÚVENS E NEBLINA


Os dutos de Amegakure eram um labirinto de tubos metálicos e vapor, escuros e úmidos. Suigetsu e Karin, escondidos nas sombras, estavam realizando uma tarefa crítica. O capturado Giyu estava amarrado e imóvel, pronto para revelar os segredos que a dupla estava à procura.

Suigetsu posicionou as pontas dos dedos ao longo da lateral do rosto de Giyu. Seu chakra, de um brilho azul escuro, envolvia seus dedos como uma aura ameaçadora. Ele atentamente, explicou em voz baixa: — "Liberação de água: Mar de nuvens e neblinas que devoram a mente" (雲海霧の精神喰らいの術, Unkai Kiri no Seishin Kurai no Jutsu), esta técnica é capaz de extrair memórias da vítima, mas também a mata no processo. É um jutsu secreto do clã Hōzuki, destinado a desvendar os segredos mais bem guardados.

Com a técnica ativada, Suigetsu começou a injetar água no cérebro de Giyu fazendo as veias perto das têmporas saltarem. O efeito foi imediato e horripilante. Giyu começou a vomitar água, que se transformava em inúmeras bolhas translúcidas contendo fragmentos de suas memórias.

As bolhas flutuavam no ar, cada uma brilhando com um brilho etéreo. Karin, curiosa, tocou uma delas, e sua mente foi imediatamente invadida por imagens e sons. Ela viu Giyu em uma conversa acalorada com uma mulher, discutindo planos para acabar com a supremacia das cinco grandes vilas e as cinco grandes nações. A mulher falava sobre trazer um fim à era ninja que tanto prejudicou as vilas menores.

— Ela pretende derrubar as grandes vilas. — Murmurou Karin, processando a informação. — Eles estão planejando uma revolução.

Ela tocou outra bolha, e novas memórias se desdobraram em sua mente. Viu Giyu sendo convidado para uma reunião em uma base secreta abaixo dos grandes arranha-céus no centro de Amegakure. A estrutura subterrânea era fortemente protegida por sistemas de segurança sofisticados.

Enquanto Karin explorava as memórias, Giyu, já enfraquecido pela técnica, finalmente caiu no chão, sem vida. Suigetsu parou a técnica e olhou para as bolhas de água espalhadas pelo local.

— Temos bastante trabalho pela frente. — Disse ele, olhando para Karin.

Karin assentiu, ainda tocando as bolhas. — Sim, cada fragmento pode conter informações vitais. Precisamos ser meticulosos. Nada pode fugir aos nossos olhos, nenhuma dessas bolhas.

A dupla sabia que essa tarefa exigiria tempo e paciência. As bolhas representavam um quebra-cabeça complexo que precisavam resolver para entender completamente os planos de Amegakure e a extensão da conspiração.

Enquanto trabalhavam, o silêncio dos dutos era quebrado apenas pelos murmúrios de memórias e o som das bolhas estourando. Cada nova memória revelava mais sobre os planos sinistros de Giyu e seus cúmplices.

A missão de Taka estava apenas começando. As informações que obtivessem aqui poderiam mudar o destino das vilas ninja e redefinir o equilíbrio de poder no mundo shinobi.

........

Tetsuji estava de pé em uma sala de escritório ampla e luxuosa, marcada pelo contraste entre o minimalismo das paredes brancas e a mesa gigante ao fundo. Atrás dela, sentada com serenidade, estava uma mulher de cabelos escuros longos e olhos cor de mel. Seus dedos habilidosos dobravam papéis com precisão, transformando-os em origamis delicados.

— Senhora. — Começou Tetsuji, mantendo a postura rígida e respeitosa.  — Houve um incidente grave durante um evento de lutas e apostas na noite passada. Todos os participantes e espectadores desapareceram, e encontramos sinais claros de uma invasão. Giyu também está desaparecido.

A mulher atrás da mesa não pareceu perturbada. Em vez disso, ela ergueu um origami recém-feito e sorriu para ele. — Como está o dia lá fora, Tetsuji?

Tetsuji piscou, ligeiramente confusa com a interrupção, mas manteve o foco. — Está nublado, senhora. As chuvas são intermitentes, como sempre em Amegakure.

A mulher sorriu e voltou sua atenção para um novo pedaço de papel. — E você, Tetsuji? Como está?

—  Eu estou bem, senhora. Preocupada com a situação, claro.

A mulher assentiu, continuando a dobrar o papel. — O que tem feito, Tetsuji? Ainda gosta de caminhar pela vila?

— Tenho estado ocupada com minhas responsabilidades. — Respondeu Tetsuji, tentando disfarçar sua impaciência. — Senhora, a situação é urgente.

A mulher finalmente levantou os olhos para Tetsuji, seu olhar penetrante, mas gentil. — E as crianças? Elas ainda gostam de fazer origamis? Brincar na chuva?

Tetsuji respirou fundo, percebendo que essas perguntas triviais faziam parte do método peculiar da mulher para avaliar a situação. — Sim, senhora. Elas adoram.

A mulher sorriu novamente, satisfeita com a resposta. Então, com um movimento gracioso, ela amarrou seu cabelo em um coque bem-feito, revelando um braço mecânico complexo e sofisticado. Com um movimento suave da mão mecânica, as paredes da sala começaram a se mover, revelando espaços secretos.

Atrás das paredes, havia computadores avançados, múltiplas telas de câmeras mostrando diversos pontos de Amegakure, e sensores de toda natureza. Dados sobre soldados, armas, e aparelhos manipuláveis à distância por ela estavam organizados e acessíveis.

A expressão da mulher se tornou séria e decidida. — Tetsuji, ative o esquadrão especial. Usaremos todos os nossos recursos nesta caçada.

Tetsuji assentiu, sentindo um peso se levantar de seus ombros. A mulher à sua frente, apesar de sua aparência tranquila e interesse em origamis, era uma estrategista implacável. Com ela no comando, Tetsuji sabia que a vila teria uma resposta à altura.

A caçada aos infiltrados estava apenas começando, e Amegakure estava se preparando para responder com toda sua força e tecnologia avançada.

........

Nos dutos escuros e sinuosos de Amegakure, Suigetsu e Karin estavam mergulhados em uma tarefa vital. Enquanto Suigetsu absorvia as bolhas de memória de Giyu, Karin registrava meticulosamente todos os dados em um pergaminho. Suigetsu manipulava as bolhas com uma habilidade surpreendente, absorvendo as memórias em seu corpo em uma velocidade impressionante, acelerando significativamente o processo.

Enquanto escrevia, Karin ocasionalmente se perdia em pensamentos. Memórias do passado invadiam sua mente, especialmente o dia em que Sasuke lhe propôs essa missão. Fazia anos que não tinha contato direto com o Uchiha, mas nem a distância nem o tempo foram suficientes para apagar os sentimentos que ela nutria por ele.

________________________________________
FLASHBACK

Karin se lembrava claramente da reunião no esconderijo sombrio de Orochimaru. A sala estava iluminada apenas por algumas velas, lançando sombras dançantes nas paredes. Ao seu lado, Suigetsu estava relaxado, mas atento. Orochimaru, com seu sorriso enigmático, observava tudo com um olhar penetrante. E, no centro de tudo, estava Sasuke, com a presença imponente e os olhos ardendo com determinação.

— Amegakure está apresentando um crescimento econômico muito fora do padrão desde o fim da 4ª Guerra Ninja. — Disse Sasuke, sua voz calma, mas carregada de propósito. — Eles estão atraindo investidores de diversas regiões das cinco nações, exceto pelas cinco grandes vilas.

Ele fez uma pausa, permitindo que a informação fosse absorvida. — Os negócios clandestinos estão gerando uma movimentação de dinheiro sem precedentes, principalmente na compra e venda de armas e drogas, lutas clandestinas e venda de escravos.

Orochimaru interveio, sua voz suave, mas cheia de autoridade. — Após a morte de Nagato, a vila se tornou ainda mais fechada. Algumas famílias escalaram rapidamente ao poder e influência e aparentam querer expandir essa influência para fora dos limites da vila. Algo grande está acontecendo em Amegakure, e precisamos saber exatamente o que é.

Sasuke olhou diretamente para Karin, seus olhos ardendo com uma intensidade que ela sempre achou irresistível. — Eu não tenho tempo para realizar essa investigação pessoalmente. Pretendo deixar a cargo de vocês, para que descubram o que está realmente acontecendo em Amegakure e qual é o grande objetivo por trás de atrair tantos investidores para essas terras.

________________________________________

No presente, Karin suspirou, voltando sua atenção ao pergaminho. Suigetsu, agora quase terminado com a absorção das memórias, olhou para ela, percebendo a distração momentânea. Sua expressão se endureceu momentaneamente, os olhos estreitando-se, enquanto ele reprimia um suspiro de frustração.

—  Pensando em Sasuke novamente, hein? — Ele disse, sua voz carregada de uma ponta de irritação que ele não conseguia esconder completamente, sem desviar os olhos de seu trabalho.

Karin corou ligeiramente, mas não negou. —  Sim. Não importa quanto tempo passe, eu ainda... bom, você sabe.

Suigetsu assentiu, tentando disfarçar seu desconforto. — Vamos terminar isso então. Precisamos dessas informações para cumprir a missão que ele nos deu.

Havia uma tensão sutil no ar, enquanto Suigetsu se forçava a manter o foco. Ele não podia negar a importância de Sasuke, mas era difícil ignorar os sentimentos conflitantes que surgiam toda vez que o nome dele era mencionado.

Karin, sentindo a tensão, tentou se concentrar ainda mais em seu trabalho. — Você tem razão. Vamos focar.

Enquanto Suigetsu continuava a absorver as últimas bolhas de memórias, Karin se concentrava em registrar os dados.

........

No topo do maior arranha-céu de Amegakure, quatro figuras desconhecidas observavam os limites da vila. A cidade abaixo estava imersa em uma névoa persistente, cortada apenas pelas luzes pálidas dos postes e janelas distantes. A chuva caía em uma cortina incessante, transformando o cenário em um mar de cinzas e sombras.

Sōya, um homem alto e extremamente musculoso, estava no centro do grupo. Seu cabelo verde escuro e olhos negros brilhavam com uma intensidade ameaçadora. Em suas costas, dois facões gigantes estavam presos, prontos para o combate. Ele vestia um changshan preto, aberto nas laterais, que revelava sua postura firme e poderosa. Suas calças pretas e coturnos, junto com as luvas azul escuras sem dedos que cobriam seu antebraço, completavam sua figura imponente.

Ao seu lado, Saki, uma jovem loira com o cabelo preso em um rabo de cavalo caído, parecia despretensiosa à primeira vista. Ela usava um shortinho de cor clara e um top branco, com um coldre preso em sua perna e um cinto de utensílios na cintura. Seus olhos e o sorriso solto brilhavam com uma determinação feroz, enquanto ela olhava para a vila com um leve sorriso nos lábios.

Kaho, a mais baixa do grupo, estava coberta por uma capa de chuva que não escondia suas botas de cano alto. Seu cabelo preto, cortado em um estilo bob na altura do pescoço, emoldurava seu rosto sério. Ela segurava um rifle de precisão com destreza, seus olhos escuros avaliando cada movimento na cidade abaixo.

Yun, um homem de estatura média, completava o grupo. Seus olhos e cabelos castanhos, longos e presos em uma trança que chegava ao chão, brilhavam com um azul assustador. Ele vestia somente uma calça de cor escura com detalhes em branco, dando-lhe uma aparência inquietante.

Os quatro observavam a cidade em silêncio, comunicando-se apenas com olhares e gestos. Havia uma tensão palpável no ar, como se estivessem à espera de um sinal.

— Temos que garantir que ninguém escape. — Disse Sōya, sua voz profunda e ressonante cortando o silêncio. — Nossos alvos são específicos.

Saki assentiu, seu sorriso se alargando. — Eu posso cuidar das distrações. — Ela disse, tocando levemente no coldre em sua perna.

Kaho ajustou seu rifle, os olhos focados na mira. — Darei cobertura.

Yun permaneceu em silêncio, os olhos brilhando enquanto ele observava a cena. Ele levantou uma mão, e uma onda de energia azul cintilante passou por seus dedos.

— Está na hora. — Ele disse finalmente, sua voz fria e controlada.

Com um aceno de Sōya, o grupo se dispersou, cada um se movendo com precisão e propósito. A noite de Amegakure estava prestes a ser envolvida em um novo nível de caos e destruição, enquanto essas sombras desconhecidas se preparavam para executar seu plano.

........

Finalmente, Suigetsu terminou de absorver as memórias. O corpo de Giyu jazia sem vida no chão, mas o trabalho com ele estava finalizado.

descriptionA NÉVOA RUBRA E OS MISTÉRIOS DA VILA DA CHUVA  EmptyRe: A NÉVOA RUBRA E OS MISTÉRIOS DA VILA DA CHUVA

more_horiz
CAPÍTULO 5: MENTIRAS SUBMERSAS


O processo de extração de informações finalmente terminou. Suigetsu, com uma expressão séria, segurou o corpo de Giyu pelo pescoço, levantando-o no ar acima de uma grande poça de água. Por alguns segundos, ele manteve Giyu suspenso, seus olhos frios fixos no corpo sem vida. Então, com um gesto brusco, ele soltou Giyu, que desapareceu dentro da poça, como se nunca tivesse existido.

— 'Liberação de água: Técnica da Estrutura Aquosa de Vários Andares ─ Maré de Desastres' (多層水構造: 災害の潮の術, Tasō Sui Kōzō: Saigai no Ushio no Jutsu). — Karin, observando a cena com atenção, começou a descrever a técnica secreta que também fora utilizada no salão de lutas clandestinas na noite anterior. — Essa técnica, consegue transformar qualquer porção de água em um portal para uma dimensão completamente submersa. Quantidades imensuráveis de água podem ser expurgadas a partir dela e dá para trazê-la de volta quando bem entender.  — Ela explicou, seu tom de voz misturando admiração e apreensão.

Ela não disse, mas qualquer um que atravessasse esta passagem para o outro mundo iria se deparar com uma visão perturbadora: corpos, os corpos boiando de todas as pessoas vítimas desta técnica, incluindo aqueles pegos por ela na noite passada. Morreram todos afogados em uma água fria, escura e sem fim.

Essa técnica também facilita a movimentação do Suigetsu. Ele consegue acessar qualquer poça de água dentro de um raio de 500 metros, tornando-o praticamente onipresente em locais úmidos como Amegakure.

Suigetsu voltou seu olhar para Karin, seu rosto imperturbável. — Giyu era uma formiga no grande esquema das coisas. As informações que ele tinha eram superficiais comparadas ao que realmente está acontecendo em Amegakure.

Karin concordou, seu olhar se tornando pensativo. — Apesar disso, ele tinha informações importantes sobre a estrutura básica da nova cadeia de comando da vila. Tudo começa com uma mulher chamada Kyōkō, também conhecida como 'Milagre de Deus'. Foi ela quem apresentou 'A Chave do Deus Morto', aparentemente um presente de Nagato, para algumas das pessoas mais influentes e poderosas da vila após a morte dele.

— Kyōkō. — Repetiu Suigetsu, ponderando sobre o nome. — A partir dela, uma organização inteira e uma imensa estrutura econômica e política foram fundadas. Isso é algo que o próprio Nagato não conseguiu alcançar com todo o poder que tinha.

Karin continuou, seu tom de voz ficando mais sério. — Agora, nosso foco é investigar as quatro casas, ou as quatro bestas, que ascenderam na política interna da vila após a queda de Nagato. Pelo que tudo indica, ascenderam através da ligação direta com Kyōkō e a tal da Chave do Deus Morto. E apenas os líderes dessas quatro famílias têm acesso direto a ela.

Karin e Suigetsu sabiam que estavam apenas arranhando a superfície do enigma complexo que era Amegakure. Depois de discutirem suas próximas ações, decidiram que era hora de se separar. Suigetsu, com suas habilidades únicas, tinha uma vantagem natural em se mover rapidamente e acessar locais difíceis por meio de sua técnica de manipulação de água. Ele iria explorar alguns dos locais que viram nas memórias de Giyu.

Karin, por outro lado, tinha uma mobilidade mais limitada e não poderia usar sua capacidade sensorial com total liberdade sem atrair atenção indesejada. Ela ficaria encarregada de recolher informações sobre as quatro bestas.

— Nos separamos aqui e nos reencontramos aqui em algumas poucas horas. — Comentou Suigetsu, olhando para ela. — Confio nas suas capacidades, Karin.

Karin sorriu, reconhecendo a verdade nas palavras de Suigetsu. — Vamos nos encontrar novamente quando tivermos mais informações.

Com um aceno de cabeça, Suigetsu desapareceu dentro da poça de água, deixando Karin sozinha nos dutos escuros. Ela começou a se distanciar do ponto inicial, movendo-se silenciosamente pelos túneis úmidos e frios. Seus pensamentos estavam focados na missão, mas também em seu encontro com Sasuke.

........

Enquanto Suigetsu se movia através da água, ele ponderava sobre a natureza de Karin. "Ela é muito mais do que aparenta ser, sua capacidade sensorial e essas essências que usa são armas poderosas." Pensou ele, fazendo uma observação mental sobre a natureza peculiar de Karin. "Ela consegue perceber quando um alvo está mentindo e extrair informações sem levantar suspeitas. E além de suas habilidades sensoriais excepcionais, ela era uma mulher extremamente cheirosa. Só que as essências que usa continham substâncias entorpecentes em sua composição, um truque que a ajudava a distrair e manipular seus alvos. Com suas habilidades sensoriais e a manipulação sutil de entorpecentes, ela pode extrair informações de maneira que eu nunca conseguiria."

Suigetsu sabia que, apesar de suas diferenças, ambos formavam uma equipe eficiente.

........

Karin continuava seu caminho pelos dutos, sentindo a vibração do ambiente ao seu redor. Ela ativou sua capacidade sensorial, estendendo seus sentidos para captar quaisquer presenças próximas. Sabia que precisava ser cuidadosa, por isso restringiu seu alcance sensorial para uma área pequena para não chamar muita atenção. Mesmo uma mínima exposição poderia alertar os guardas de Amegakure.

Já fazia algum tempo que ela se sentia observada, mas não detectava nada dentro do alcance do seu sensor de chakra.

Karin, agora disfarçada como uma jovem de pele clara e cabelos prateados, percorreu as ruas estreitas e sombrias de Amegakure. Seu objetivo era claro: misturar-se e recolher informações sem chamar atenção. No entanto, a tranquilidade de sua missão foi abruptamente interrompida.

Enquanto se movia pelas vielas, ela sentiu uma abrupta manipulação de chakra a quilômetros de distância, por cima dos prédios. Sua percepção melhorada captou o projétil se aproximando a uma velocidade exorbitante. Instintivamente, ela inclinou a cabeça, mas o disparo passou a milímetros de seu rosto, perfurando a parede atrás dela e deixando rachaduras extensas.

Antes que pudesse processar o ataque, uma figura loira apareceu à sua frente. Saki caminhava com uma elegância desdenhosa, um sorriso largo estampado no rosto, segurando duas pistolas de cor prateada. Karin sabia que estava em grande perigo.

— Que bela noite para um passeio, não é mesmo? — Saki comentou, sua voz gotejando sarcasmo e uma pontada de divertimento. — Você deve ser o ratinho que estamos procurando.

Karin se preparou, sabendo que precisava agir rapidamente. As pistolas de Saki eram um perigo iminente, e Kaho, a franco-atirador, ainda estava em algum lugar à distância, pronta para atacar a qualquer momento.

Saki não esperou mais. Em um movimento fluido, ela disparou as pistolas. Karin, contando com sua agilidade e capacidade sensorial, desviou-se dos tiros, saltando para trás e girando para evitar os projéteis. O som das balas ricocheteando nas paredes ecoava pelas ruas estreitas.

Tentando prever os movimentos uma da outra, Karin e Saki estavam sempre um passo à frente e um atrás, anulando os ataques mutuamente. Karin concentrou energia em seus punhos e avançou, mas Saki previu seu movimento, esquivando-se graciosamente e disparando em resposta.

Karin mal teve tempo de reagir quando sentiu outra perturbação de chakra. Seu corpo reagiu instintivamente, saltando para o lado, enquanto uma bala construída a partir do chakra cravava-se no chão onde estava um segundo antes. Kaho estava mais perto do que pensava, exercendo uma pressão psicológica constante com seu alcance e poder letal.

Enquanto lutava contra Saki, desviando dos projéteis de Kaho, Karin percebeu que estava em uma situação desesperadora. Saki se movia com uma agilidade impressionante, e sua habilidade de prever os movimentos de Karin tornava a luta ainda mais difícil.

Karin tentou usar seus fios de chakra para prender Saki, mas esta previu o ataque e saltou para trás, atirando enquanto estava no ar. Os fios de chakra não chegaram nem a representar uma ameaça a Saki, deixando Karin sem opção a não ser recuar.

"Droga, nada que eu faça está dando certo..." Pensou a Uzumaki, sentindo o sangue bombear mais rapidamente por todo o corpo.

Saki sorriu, seus olhos brilhando de excitação. — Você não pode me vencer, pois eu vejo cada movimento seu antes mesmo de você pensar nele.

A Uzumaki sentiu outro projétil de Kaho se aproximando. Ela desviou por muito pouco, a bala de chakra passando a milímetros de seu ombro. A pressão estava aumentando, e Karin sabia que precisava encontrar uma maneira de virar o jogo.

Karin usou sua capacidade sensorial para tentar localizar Kaho e encontrar uma brecha. No entanto, cada vez que se concentrava, Saki aproveitava o momento para atacar, forçando Karin a desviar e se defender.

— Você está lutando bem, mas em desvantagem. — Saki provocou, e um sorriso travesso despontou do seu rosto.

Saki não se contentava apenas com tiros precisos. Ela acrescentou acrobacias e bombas sonoras ao seu estilo de combate, tornando-se ainda mais imprevisível. Saltou sobre uma parede próxima, girando no ar e disparando de cima. Karin desviou, mas a bomba sonora jogada sorrateiramente perto dela a desorientou por um momento.

"Merda! Se continuar assim, eu vou morrer..." Constatou a remanescente do clã Uzumaki.

A Uzumaki tentou se recuperar e recuar e despistar as adversárias. Saki e Kaho, porém, estavam sempre um passo à frente. Prevendo algumas rotas de fuga de Karin, Kaho disparou a distância algum tipo de projétil explosivo em pontos estratégicos, bloqueando certas passagens que pudessem servir de rota de escape para a Uzumaki. Karin salvou-se unicamente por conta de sua capacidade de regeneração, mas os ferimentos estavam se acumulando.

Percebendo que não estava conseguindo fugir, já um pouco ferida, Karin voltou para o combate corpo a corpo com Saki.

— Você realmente acha que pode me vencer? — Saki sorriu, seus olhos brilhando de excitação. — Eu vejo através de você. Vejo seus impulsos cerebrais. Sei onde e quando você vai atacar. Já meus ataques são inevitáveis.

Karin avançou com um soco, mas Saki desviou facilmente, girando e acertando Karin com um chute no estômago. A Uzumaki cambaleou para trás, recuperando-se rapidamente e atacando novamente. Cada movimento de Karin era antecipado por Saki, que se esquivava com graça e contra-atacava com precisão.

Karin gritou, frustrada, e tentou um golpe mais complexo, variando sua abordagem. Usou uma combinação de ataques rápidos e movimentos imprevisíveis e a manipulação de fios, mas Saki continuava a prever seus movimentos, desviando e atacando com precisão cirúrgica.

Enquanto isso, Kaho mantinha a pressão psicológica com disparos precisos. Cada vez que Karin parecia ganhar algum terreno contra Saki, uma bala de chakra voava em sua direção, forçando-a a desviar e dando a Saki a vantagem novamente.

A Uzumaki sabia que estava em uma situação desesperadora. A combinação de Saki e Kaho era quase insuperável.

........

Suigetsu, utilizando sua técnica, apareceu em vários pontos-chave que viu nas memórias de Giyu. Ele se moveu rapidamente, explorando áreas subterrâneas e escondidas, onde descobriu pistas sobre as operações clandestinas da vila. Observou documentos, ouviu conversas e reuniu fragmentos de informações, sempre mantendo-se fora da vista.

descriptionA NÉVOA RUBRA E OS MISTÉRIOS DA VILA DA CHUVA  EmptyRe: A NÉVOA RUBRA E OS MISTÉRIOS DA VILA DA CHUVA

more_horiz
CAPÍTULO 6: NÃO SE ESCONDA DE MIM


A batalha continuava em um impasse. Karin e Saki moviam-se em um ritmo frenético, tentando prever os movimentos uma da outra. Cada ataque era antecipado, cada esquiva era perfeita. A tensão estava no auge. A ruiva sabia que se isso continuasse, ela acabaria sendo capturada.

A Uzumaki respirou fundo, sentindo a pressão crescer. O olhar de Saki, confiante e incisivo, não deixava dúvidas de que ela estava em uma situação desesperadora. Mas Karin tinha uma carta na manga, uma técnica secreta que poderia virar o jogo. Decidida a não ser capturada, ela começou a inflar seu chakra, canalizando-o para seu ponto máximo.

Saki, percebendo a mudança na postura de Karin, franziu o cenho. — O que você está fazendo? — Perguntou, os olhos brilhando de curiosidade e cautela.

Ela não respondeu. Em vez disso, ela invocou sua técnica secreta, Kongō Fusa. As correntes gigantes se manifestaram em velocidade, força e violência assombrosos, atacando em todas as direções de forma desordenada. Elas surgiram rasgando o ar com um estrondo e causando grandes estragos ao quarteirão. Casas e prédios foram destruídos em questão de segundos.

Saki foi pega de surpresa, mal conseguindo esquivar-se das correntes que vinham de todas as direções. Kaho, observando de sua posição distante, teve que recuar rapidamente para evitar ser atingida pelos destroços e pelas próprias correntes.

As correntes da Uzumaki continuaram a destruir tudo em seu caminho, até que o chão sob seus pés começou a desmoronar. Com um grande estrondo, o solo cedeu, revelando uma imensa galeria com diversas ramificações de túneis de esgoto de Amegakure. O buraco se abriu de forma abrupta, engolindo tudo ao seu redor.

Karin aproveitou o caos gerado por seu ataque. Em meio aos destroços e à confusão, ela saltou para dentro da galeria subterrânea, desaparecendo nos túneis de esgoto.

........

Enquanto isso, Saki e Kaho entraram em contato através dos comunicadores de ouvido. A voz de Saki estava carregada de frustração e excitação. — Quase conseguimos levá-la em direção aos rapazes, mas não esperava que ela detivesse um poder tão avassalador. — Comentou.

Kaho, com sua voz calma e analítica, respondeu: — Apesar disso, Saki, você poderia ter vencido sua oponente em diversos momentos durante o combate. Não havia necessidade de envolver nós quatro para emboscá-la. Mas não o fez porque estava brincando e se divertindo com a situação.

A loira ficou surpresa por sua companheira ter notado. Mas desfez o semblante de surpresa com uma gargalhada travessa. — Você me pegou, Kaho. Faz tempo que alguém não me desafiava assim. Aquela mulher atiçou meu interesse.

A pequena assentiu, entendendo. — Então, qual é o plano?

Saki sorriu, ajustando as pistolas nos coldres da perna. — Vou usar meus 'Hounds' para forçar essa ratinha a sair do buraco onde ela entrou.

........

Karin corria pelos túneis escuros e úmidos, sentindo a adrenalina pulsar em suas veias. Ela sabia que tinha ganhado um pouco de tempo, mas não podia baixar a guarda. Ela parou por um momento para recuperar o fôlego e avaliar suas feridas.

Sua perna estava sangrando muito. Karin foi pega de raspão pela onda de choque de quando explodiram o corredor que ela estava presta a passar. Por instinto, ela recobriu o corpo com chakra para mitigar os danos e quase imediatamente mordeu seu braço para curar os danos mais graves, do contrário ela estaria em uma situação bem crítica agora ou até morta.

Ela aproveitou o momento para fazer algumas observações sobre seus adversários. A mulher de cabelos dourados que ela havia enfrentado, aparentemente podia ler os impulsos cerebrais de seus adversários, permitindo-lhe equiparar ou mesmo superar o apoio do Kagura Shingan em combate. Isso a tornava uma oponente impossível de vencer em uma batalha direta. Aquela mulher não apenas previa seus movimentos, mas também se movia com uma agilidade e precisão sobrenaturais. Além disso, utilizava acrobacias e diversas artimanhas sujas em seu estilo de combate, aumentando ainda mais a dificuldade.

Já o inimigo que atirava ao longe, o franco-atirador, era inteligente e cuidadoso o suficiente para nunca atirar duas vezes a partir da mesma posição. A única brecha que o tornava detectável para sensores como o de Karin era o momento em que disparava. Relembrando então alguns momentos da luta, Karin observara que as balas criadas a partir do chakra, atirados por ele, tinham um poder destrutivo absurdo, várias e várias vezes acima do poder de uma bala normal, perfurando objetos como se fossem bolas de canhão.

Karin também observou as pistolas de Saki, que utilizavam balas normais, mas com um diferencial crucial: ela pôde sentir o acumular de chakra no cano da arma, aumentando a velocidade e o impacto dos disparos. Quanto maior o acúmulo de chakra, maior a velocidade da bala ao ser disparada, tornando a loira uma combatente ainda mais letal.

Para Karin:
“Amegakure também está desenvolvendo soldados que utilizam armas de fogo com aplicação direta de chakra para potencializar seu poder. Isso representava um novo nível de desenvolvimento em poderio militar.” Pensou, apreensiva.

........

Em um ponto muito distante, Suigetsu continuava suas investigações pelas instalações subterrâneas de Amegakure. Algo, porém, perturbava sua concentração. Um pressentimento sombrio de que algo não estava certo. Ele parou por um momento, seus instintos sempre apurados avisando que algo estava acontecendo.

Enquanto isso, nas profundezas da vila, em uma galeria onde desaguam vários dutos de esgoto, Karin estava alerta. Ela sentiu o chakra de formas de vida semelhante a cães se aproximando, farejando o ar em busca de seu rastro. Eram lobos, movendo-se furtivamente e farejando o perfume intenso que ela havia escolhido usar naquela noite.

— Que azar. — Karin bufou, percebendo o erro tático.

Determinada a preparar uma defesa, Karin começou a estabelecer fios de chakra entre as estruturas metálicas e formações rochosas ao longo das amplas áreas da galeria. Criou uma intrincada zona de teias, ajustando a visibilidade dos fios através do fluxo de chakra. A cada movimento, ela reforçava sua armadilha, esperando que isso lhe desse uma vantagem contra os perseguidores.

Os lobos chegaram à galeria, cada um vindo através de um duto diferente. Permaneceram nas sombras, seus olhos brilhando em um azul ameaçador no escuro. Quando se revelaram sob a claridade, Karin sentiu um calafrio percorrer sua espinha. As criaturas diante dela eram uma visão horrível: grandes lobos com partes de seus corpos transformadas em máquinas, transformados em armas vivas sem muita consciência. A cena trouxe à tona lembranças dos corpos mutilados e transformados das caçadoras com quem ela havia lutado anteriormente.

Um dos lobos estava com as costelas e partes dos órgãos na região expostos, e Karin observou, horrorizada, enquanto um dispositivo injetava algo no coração do animal. O batimento cardíaco do lobo começou a acelerar absurdamente e foi perceptível um aumento significativo em seu tamanho. O horror da situação a paralisou por um momento.

Sua atenção foi abruptamente desviada quando a mulher loira, com quem outrora lutara, saltou de algum lugar à frente dos lobos, gargalhando de forma anárquica. Com um sorriso travesso, ela agora empunhava uma Minigun, a arma girando com um som ameaçador.

— Olha só quem eu encontrei. — Saki riu, seus olhos brilhando de excitação. — Achei que você poderia ser mais divertida de rastrear.

Karin apertou os punhos, tentando manter a calma. A situação estava se deteriorando rapidamente, e ela precisava pensar em uma estratégia para sair dali.

Karin usou os fios de chakra para desviar, enquanto os lobos avançavam sobre a zona de fios. Os lobos aparentemente eram capazes de detectar os fios, mesmo os invisíveis a olho nu, mas ainda tinham dificuldade de mover-se no meio deles. Karin havia criado fios altamente visíveis e outros quase invisíveis, forçando a atenção dos lobos a se concentrarem para evitar os fios mais invisíveis, o que os levava a esbarrar ou tropeçar nos fios mais visíveis que eram menosprezados de primeiro momento.

Apesar de sua estratégia, Karin não conseguia eliminar os lobos dentro de sua zona de fios. Saki estava constantemente a pressionando com os disparos da Minigun, e os lobos pareciam extremamente capazes de coordenar suas evasivas e investidas junto com ela. A loira se movia com agilidade, fazendo com que Karin se mantivesse em constante movimento para evitar ser atingida.

— Você é persistente, admito. — A atiradora provocou, sua voz carregada de diversão e malícia. — Mas vamos ver quanto tempo você consegue continuar dançando.

Karin respirou fundo, sentindo o peso do combate. Precisava encontrar uma maneira de virar o jogo a seu favor. Utilizando sua capacidade sensorial aprimorada, tentou prever os movimentos dos lobos junto a adversária, mas a combinação de ataques coordenados estava dificultando sua concentração. Saki, por outro lado, permanecia implacável, disparando sua arma em rajadas contínuas.

Apesar disso, os lobos estavam tendo dificuldades de avançar sobre a zona de fios, mesmo com o apoio ofensivo incessante de Saki. No entanto, com um assobio estridente da mulher loira, os lobos mudaram de postura. Seus corpos aumentaram de tamanho novamente, e lâminas metálicas pontiagudas começaram a se destacar por entre os pelos.

— Vamos ver como você lida com isso. — Ela exclamou, recomeçando os disparos intermináveis. Os cães avançaram sobre a zona de fios, utilizando as lâminas para cortar os fios cuidadosamente colocados pela Uzumaki.

Karin rapidamente começou a utilizar kunai anexadas com tarjas explosivas para barrar o assalto dos lobos. As explosões reverberavam pelo ambiente subterrâneo, criando ondas de choque e poeira. No entanto, os lobos eram ágeis, esguios e respondiam mostrando seus dispositivos únicos.

Um lobo se aproximou pela esquerda, revelando uma arma instalada em sua boca que disparava um fino feixe brilhoso e quente. Karin, com reflexos rápidos, conseguiu desviar abaixando-se. Outro lobo aproveitou a brecha para afinar seu rabo peludo em uma lâmina longa, desferindo um golpe que projetou um ataque gigantesco, fazendo um enorme corte na parede ao fundo. Ela, por muito pouco, conseguiu desviar desse ataque também.

No entanto, Saki aproveitou a distração e conseguiu acertar algumas balas na perna de Karin, que gritou de dor antes de conseguir se esquivar novamente através dos fios suspensos. Mas, no momento seguinte, dois outros lobos tentaram encurralar a kunoichi.

A ruiva percebeu um foco de chakra na boca do primeiro lobo que estava em posição de 'uivo'. Uma onda sonora potente a atingiu, desestabilizando-a. Enquanto ela lutava para recuperar o equilíbrio, o segundo lobo pulou em sua direção, pronto para morder sua cabeça.

Num instante de desespero, Karin recuperou a consciência no momento certo. Com um movimento rápido e preciso, ela girou no ar e socou a mandíbula do lobo por baixo com a mão encoberta por chakra. O impacto foi forte o suficiente para lançar o lobo para trás, mas a pressão constante da adversário e dos outros lobos estava começando a cobrar seu preço.

— Você não me parece muito bem. Quer ajuda? — Saki perguntou cessando os disparos e fingiu preocupação.

Karin, ferida e exausta, sabia que precisava agir rápido. Ela percebeu que a única maneira de equilibrar a luta seria se arriscando com técnicas Fūinjutsu, do contrário ela acabaria perdendo ainda mais terreno. Cercada por todos os lados, ergueu um olhar destemido para sua rival.

descriptionA NÉVOA RUBRA E OS MISTÉRIOS DA VILA DA CHUVA  EmptyRe: A NÉVOA RUBRA E OS MISTÉRIOS DA VILA DA CHUVA

more_horiz
CAPÍTULO 7: O TEMIDO PODER UZUMAKI


A batalha subterrânea continuava em um ritmo frenético. Karin, utilizando suas zonas de fios para aumentar sua mobilidade, enfrentava a ofensiva incansável de Saki e dos lobos metálicos. Cada movimento, cada ataque e cada esquiva era meticulosamente calculado, mas o confronto permanecia em um impasse.

De repente, Kaho surgiu em um ponto elevado da galeria, observando a luta de cima. Com uma postura relaxada, ela aparentava não ter intenção de se envolver diretamente no embate já em andamento.

— Interessante. — Comentou Kaho, sua voz ecoando pelo espaço. — A aparência não condiz com a pessoa. Você deve estar usando o Henge no Jutsu, mas só há uma única pessoa no mundo todo capaz de usar o Kongō Fūsa, Karin Uzumaki.

Karin lançou um olhar rápido para Kaho, sem baixar a guarda. A presença da nova adversária era preocupante, mas a batalha contra Saki e os lobos exigia sua atenção total.

— Compreendo e admiro sua determinação, Uzumaki. — Continuou Kaho, com um tom quase respeitoso. — Mas permita-me desestimulá-la da ideia de vitória.

Kaho explicou audivelmente, como se estivesse dando uma lição. — A Saki aqui não é uma combatente comum. Ela é uma humana melhorada, biotecnologicamente aprimorada para se tornar uma super-arma. Ela não envelhece, não adoece, não sente fadiga e possui um condicionamento corporal absoluto. Sua visão aprimorada permite discernir os impulsos sinápticos de seus adversários, simulando uma espécie de precognição combativa. Ela sabe antecipadamente o que você está prestes a fazer.

Karin sentiu um calafrio. A luta contra Saki já era difícil, mas entender a extensão das habilidades de sua oponente tornava a situação ainda mais desesperadora.

— Além disso, — Prosseguiu a pequena. — ...um neurochip implantado em seu cérebro lhe permite controlar e estender suas capacidades precognitivas para o que ela chama de 'Hounds', os lobos modificados a sua frente, através de uma interface orientada pelo pensamento.

A loira sorriu, seu olhar fixo na Uzumaki.

Karin bufou, sentindo a dor das balas em sua perna. Mas ela não desistiria tão facilmente. Ela mergulhou a mão em sua bolsa médica, retirando um pequeno frasco de perfume. Era um truque que ela usou poucas vezes.

Com um movimento rápido, ela abriu o frasco e encheu a boca com o líquido. Focando o chakra em sua boca, ela aumentou a quantidade da substância, preparando-se para liberar sua técnica. Ela cuspiu a substância, liberando uma densa nuvem de fragrância que se espalhou rapidamente por toda a galeria.

Saki e Kaho foram pegas de surpresa. — O que é isso?! — Exclamou a loira, levando as mãos ao nariz para tentar evitar o cheiro forte do perfume. A pequena Kaho, que observava do alto, também cobriu o nariz, mas era tarde demais. A nuvem estava por toda parte.

A fragrância não era apenas forte; era composta de substâncias entorpecentes que lesionavam os nervos olfatórios e prejudicavam a visão. Saki, tentando abrir os olhos para usar sua habilidade de visão aprimorada, descobriu que não conseguia mantê-los abertos. A dor e o desconforto eram insuportáveis.

Os lobos, embora afetados pela nuvem, não podiam expressar sinais de desconforto. Eram criaturas sem consciência, movidas por comandos e instintos básicos. Mesmo com suas narinas e olhos aguçados prejudicados, continuavam a avançar, mas de forma descoordenada e menos eficaz.

Quando a nuvem de perfume finalmente se dispersou, Karin permanecia imóvel, mas seu entorno havia mudado drasticamente. Dois grandes círculos concêntricos de kunai estavam cravados no chão ao seu redor, cada uma com tarjas anexadas contendo inscrições complexas. Ela estava no centro de uma armadilha cuidadosamente preparada.

A loira, agora com os olhos vermelhos e lacrimejando, sentiu sua visão começar a se recuperar graças a um de seus aprimoramentos biotecnológicos que acelerava a recuperação de lesões. Ao analisar a situação, percebeu que seus 'Hounds' estavam desorientados, seus sentidos olfativos e visuais comprometidos pela nuvem de perfume. Sem esses sentidos, eles dependiam inteiramente dos comandos mentais dela, mas as limitações impostas pela perda de compartilhamento de sua habilidade de visão sináptica eram evidentes.

— Ela é esperta, preciso admitir. — Murmurou Saki, ainda tentando se ajustar aos novos desafios. Com um gesto rápido, tentou coordenar os lobos para um ataque coordenado, instruindo-os a avançar sobre Karin de forma intercalada.

Os lobos responderam prontamente, mas assim que os primeiros dois se aproximaram do círculo externo de kunai, as inscrições nas tarjas se ativaram. As marcas se estenderam pelo chão em uma velocidade impressionante, alcançando e imobilizando os dois lobos em questão, prendendo-os com uma força invisível.

Karin, com movimentos ágeis, desviou dos dois lobos restantes, aproveitando sua superior mobilidade. Em um movimento fluido, lançou duas kunai com tarjas explosivas sobre os lobos presos. As explosões resultantes arremessaram os lobos para longe, neutralizando-os temporariamente.

Saki, observando a cena, rapidamente tentou intervir. Ela começou a condensar chakra em sua arma, pronta para disparar um ataque devastador. No entanto, no instante em que tentou atirar, sentiu seu corpo imobilizar-se. Olhando com atenção, percebeu que as inscrições das tarjas haviam se estendido pelo chão até alcançar seus braços e pernas, prendendo-a no lugar.

— Mas o quê...? — Saki murmurou, surpresa e irritada. A habilidade de Karin era muito mais do que ela havia antecipado. Cada kunai, cada tarja, cada inscrição era parte de uma teia intricada de selos projetada para paralisar e controlar o campo de batalha.

Karin, agora em vantagem, se permitiu um momento de satisfação. “Quero ver se você consegue manter esse sorriso soberbo no rosto.” Pensou.

Saki tentou se libertar, mas as inscrições mantinham seu controle firme. Os 'Hounds' restantes, agora descoordenados e incapazes de superar as limitações impostas pelo perfume e as tarjas, estavam vulneráveis.

— Karin Uzumaki. —  Murmurou Kaho, quase admirada. — Você realmente é uma força a ser reconhecida.

A pequena, sempre calma e inabalável, observava a batalha do alto da galeria. Com uma voz tranquila e segura, alertou Saki sobre a verdadeira natureza de sua adversária. — Saki, não a subestime. Ela é uma Uzumaki, instruída por um Sannin. Clã temido por sua afinidade com Fūinjutsu. Lembre-se de que essas técnicas geralmente precisam de duas coisas: uma condição para ativar a técnica e uma troca equivalente ao poder da técnica.

Saki, ainda imobilizada, ouviu atentamente as palavras de Kaho. Ao cessar o acúmulo de chakra em sua arma, sentiu seus movimentos retornarem. Com os olhos semicerrados em concentração, começou a pensar nas possíveis condições para a ativação do Fūinjutsu de Karin, pois todos os seus lobos portavam biotecnologia estimulada e amplificada por chakra. — Se não é o chakra em si que ativa a técnica... O que poderia ser?

Enquanto ponderava, Saki notou que os lobos anteriormente derrotados estavam recuperados e prontos para a luta novamente. Ela decidiu testar uma teoria. Coordenando os lobos mais uma vez, instruiu-os a atacar em um padrão específico. Os lobos avançaram, dois deles focando em ataques poderosos, canalizando uma grande quantidade de chakra.

Como esperado, os dois lobos com o maior volume de chakra foram imobilizados pela técnica de Karin. A Uzumaki desviou dos ataques dos outros dois, aproveitando sua agilidade aprimorada pela zona de fios, e desferiu um soco potente envolvido por chakra nos lobos imobilizados, neutralizando-os novamente.

A loira sorriu ligeiramente ao perceber o padrão. — Entendi. Seu Fūinjutsu reage ao maior volume de chakra canalizado. Os lobos que canalizam mais chakra em seus ataques são os que são imobilizados.

Karin, percebendo que Saki havia descoberto seu truque, manteve-se alerta. — Você é rápida, mas entender isso é apenas o primeiro passo.

Kaho, observando de cima, mostrou uma leve expressão de contentamento.

Ela, observando a batalha com atenção aguçada, decidiu intervir novamente. — Saki! — Sua voz ecoou pela galeria, firme e calculista. — Percebi algo importante sobre a técnica de selamento da Karin. A condição para ativação é básica demais para ser apenas o volume de chakra. Parece mais provável que a técnica reaja à desvantagem numérica.

Saki, que estava coordenando seus lobos com ataques moderados, parou por um momento para ouvir. — Desvantagem numérica? — Perguntou, sem desviar os olhos da Uzumaki.

— Sim. —  Continuou Kaho. — Reparei que quando parte dos seus Hounds estavam incapacitados, apenas você foi imobilizada, não só porque sua arma canaliza uma quantidade de chakra muito maior comparado aos ataques dos lobos. E quando todos atacaram juntos, o número de inimigos aumentou e mais de um foi imobilizado.

Kaho fez uma pausa, analisando a situação. — A técnica de selamento provavelmente se ativa dentro de um alcance limite, baseado na desvantagem numérica e na quantidade de oponentes. Quanto maior o número de inimigos, mais inimigos são imobilizados pela técnica de uma só vez. Ela está usando essas condições a seu favor.

A outra estreitou os olhos, assimilando a informação. Atenta às palavras de Kaho, ela rapidamente recuou, emitindo um comando aos lobos para segui-la, exceto por um que ficou estrategicamente para enfrentar Karin em um combate direto. Este lobo, agora carregado com uma dose extra da substância que os fazia aumentar de tamanho, quadriplicou de tamanho e volume de chakra, tornando-se uma presença imponente e ameaçadora.

Karin, percebendo a mudança de tática das adversárias, ajustou sua postura defensiva. Ela sabia que os inimigos estavam se adaptando rapidamente e que precisava pensar em algo novo para manter a vantagem.

Mas ela não esperava a transformação súbita do lobo. No instante em que ele começou a avançar, liberando descargas elétricas por todo o corpo, as balas alojadas na perna de Karin começaram a reagir como para-raios, atraindo a eletricidade. Uma descarga elétrica brutal percorreu seu corpo, quase a incapacitando. Em um movimento desesperado, ela mordeu seu próprio braço para aliviar a dor e conseguiu saltar para longe, evitando por pouco ser abatida pelo lobo gigante.

Saki, agora posicionada a uma distância segura para não ser afetada pela técnica de selamento de Karin, voltou a intervir na luta com seus tiros incessantes. As balas espalhadas ou alojadas ao redor da área e no corpo de Karin começaram a reagir à eletricidade emitida pelo lobo, tornando a situação ainda mais perigosa.

O lobo gigante, agora uma verdadeira máquina de destruição, avançava com uma ferocidade implacável. Cada descarga elétrica que ele liberava se espalhava por uma ampla área na velocidade de um raio, por conta das balas que estavam por todos os lugares, o que tornava mais difícil para Karin se concentrar e formular uma estratégia eficaz. Saki, aproveitando a vantagem, continuava a disparar, tentando manter a pressão sobre a Uzumaki.

A ninja escarlate sabia que precisava agir rapidamente. Usando o restante dos seus fios de chakra para se mover com agilidade entre as estruturas metálicas e rochosas da galeria, ela tentou evitar tanto as descargas elétricas quanto os tiros de Saki. Seus movimentos eram rápidos e calculados, mas a pressão constante estava começando a cobrar seu preço.

Então, em um momento de clareza, percebeu que precisava neutralizar o lobo primeiro. Observando atentamente, ela percebeu que a última carga de substância injetada no animal também estava cobrando seu preço. Cada investida do lobo estava mais lenta e desengonçada, e a baba que antes escorria por seus dentes agora era substituída por sangue em tons escuros.

Aproveitando-se do tamanho do lobo e o seu claro desgaste, Karin desviou por baixo dele com facilidade e prendeu-se aos pelos da criatura. Agora, ela estava fora do alcance das balas de Saki, ganhando tempo precioso para utilizar sua técnica secreta. No entanto, ela precisaria contar com sua alta vitalidade para lidar com as descargas elétricas liberadas pelo lobo.

Enquanto as descargas elétricas a atingiam, Karin manteve-se determinada mordiscando seus lábios com força, condensando uma grande quantidade de chakra para finalmente usar o Kongō Fūsa novamente. As correntes então se manifestaram, atravessando o corpo da criatura e imobilizando seus membros. A técnica neutralizou a liberação das descargas elétricas ao inibir a utilização de chakra do lobo.

As correntes se moveram e o lobo foi retalhado, lavando Karin com sangue e espalhando partes do corpo da criatura por todos os lados. Com um suspiro de alívio, ela se afastou do corpo dilacerado do lobo, seu rosto e roupas manchados com o sangue escuro.

Sua rival, observando a cena, ficou momentaneamente atônita.

Karin, agora esgotada e respirando pesadamente, sabia que o Kongō Fusa consumia muito de suas energias. Cada uso da técnica era arriscado, e agora ela estava sem condições de continuar lutando.  

A loira, observando o estado da sua oponente, aproveitou para soltar um comentário sarcástico: — Você está mal, amiguinha. Tem certeza de que não quer dar uma pausa para se recuperar?

Kaho, sempre observante, notou que as capacidades defensivas de Karin haviam reduzido drasticamente. Ela percebeu que durante a luta contra o lobo, Karin não estava conseguindo antecipar as descargas elétricas, o que anteriormente teria sido fácil para ela, focando na defesa e mitigando os danos com chakra.

A pequena então sugere que: — A troca equivalente cobrada pela sua técnica de selamento é a sua habilidade sensorial, correto?

Vinhas de Lótus (蓮の蔦の術, Hasu no Tsuta no Jutsu), funcionava sob três condições: primeiro, só funcionava quando o usuário lutava em desvantagem númerica; segundo, seu alcance máximo era de 25 metros; terceiro, a técnica afetava os adversários numa proporção de 1 para 2 conforme a quantidade de adversários no alcance da técnica. Adicionalmente a esta última condição, os alvos que expressassem maior volume de chakra na utilização de uma técnica, seriam priorizados pela jutsu. Além disso, ela tinha renunciado ao Kagura Shingan por 10 minutos para atender ao requisito de troca equivalente.

Aturdida com o fato de suas adversárias terem desvendado as condições da sua técnica, Karin quase não percebeu que o gigante coração do lobo morto por ela continuava a bater de forma rítmica próximo a ela. No instante seguinte, ela foi envolvida por uma enorme explosão de fogo e eletricidade, gerada a partir do coração da criatura, cobrindo uma ampla área e fazendo boa parte da galeria desmoronar.

Saki e Kaho se afastaram rapidamente para evitar a explosão. O impacto foi devastador, criando uma onda de choque que reverberou pelos túneis e galerias subterrâneas. Destroços voaram para todos os lados, e o ambiente escuro da galeria foi iluminado momentaneamente pelo clarão da explosão.

descriptionA NÉVOA RUBRA E OS MISTÉRIOS DA VILA DA CHUVA  EmptyRe: A NÉVOA RUBRA E OS MISTÉRIOS DA VILA DA CHUVA

more_horiz
CAPÍTULO 8: O CHEIRO DO ORVALHO


Karin, protegida por uma barreira emanada a partir das correntes do seu clã instintivamente erguida em torno de si, resistiu ao impacto inicial. Ela estava ferida, cansada, e sem condições de continuar após sobreviver ao ato final que o coração daquele lobo fez ao liberar sua energia em uma grande explosão. Ela caiu quase desmaiada ao chão. E o Henge no Jutsu se desfez, revelando seu cabelo vermelho.

“Por Deus, eu não posso morrer aqui.” Suplicou internamente, antes de sua visão turvar e perder a consciência.

Kaho e Saki, determinadas a capturar a Uzumaki, começaram a se aproximar. E quando Kaho estava prestes a efetuar um tiro para incapacitar a Uzumaki, uma presença assassina tremenda surgiu, acompanhada por uma neblina densa e gélida. As duas sentiram o impacto da presença e recuaram instintivamente. De dentro da neblina, Suigetsu apareceu ao lado de Karin, agarrando-a com delicadeza.

— Vocês realmente acham que vão levar ela assim tão fácil? — Suigetsu disse, a voz fria e cheia de desdém. Seus olhos brilharam com uma fúria contida, enquanto ele avaliava a situação.

Saki e Kaho mantiveram suas posições, mas era claro que estavam cautelosas. A neblina espessa tornava difícil ver qualquer coisa com clareza, e a presença assassina de Suigetsu parecia amplificar a tensão no ar.

— Você chegou rápido. —  Comentou Kaho, tentando manter a calma.

— Rápido o suficiente para impedir vocês. —  Ele respondeu firme, ajustando Karin em seus braços.

Saki, ainda segurando sua arma, estreitou os olhos. — Você está sozinho. Acha que pode nos enfrentar e proteger ela ao mesmo tempo?

Suigetsu sorriu de maneira fria. — Vocês querem descobrir?

Kaho, sempre analítica, fez um sinal para Saki. — Vamos recuar por agora. Não somos a melhor combinação para lutar contra ele.

Saki hesitou, mas concordou descontente e bufando.

Suigetsu esperou até ter certeza de que elas haviam ido embora antes de se concentrar em Karin. — Vamos sair daqui. —  Ele murmurou, segurando-a com firmeza e começando a se mover pela galeria destruída.

Karin, mesmo exausta e ferida, conseguiu abrir os olhos e murmurar: — Suigetsu...

— Guarde suas forças, Karin. — Ele respondeu suavemente.

Enquanto se afastavam da zona de combate, a neblina lentamente começou a se dissipar, mas Suigetsu manteve um ritmo constante, determinado a tirar Karin daquele lugar perigoso. Naquele momento, garantir a segurança da Uzumkai era sua prioridade absoluta.

........

Karin abriu os olhos lentamente, sentindo um leve torpor ainda pairando sobre seu corpo. Ela percebeu alguém afagando seus cabelos com delicadeza, e um suspiro impaciente e suave tocou seu rosto. Seus olhos piscaram algumas vezes antes de focarem na pessoa à sua frente.

Um rapaz com longos cabelos loiros, olhos verdes e um rosto belíssimo estava inclinado sobre ela, uma expressão admirada e sentimental no rosto. Ele ficou corado ao perceber que ela acordara.

— Você finalmente acordou. — Diz, tentando esconder a alegria e alívio em sua voz.

Karin, ainda confusa, tentou situar-se franzindo o cenho. O rosto à sua frente não lhe era familiar, mas algo na presença dele fez sua mente começar a clarear. A assinatura de chakra, que trazia a sensação de uma brisa fria tocando sua pele, era inconfundível.

— Suigetsu? — Ela murmurou, os olhos estreitando-se enquanto tentava confirmar sua suspeita.

O rapaz sorriu timidamente, o rubor aumentando em suas bochechas. — Você me pegou. — Ele disse, a voz ainda suave, mas agora com um toque de nervosismo. Ele relaxou, revelando sua verdadeira aparência.

—  Precisávamos nos esconder e, bem, não conseguiríamos acesso a um quarto desses me apresentando como Suigetsu Hōzuki. —  Esclareceu, encolhendo os ombros.

Enquanto ela se ajustava, olhou ao redor e percebeu que estavam em um quarto luxuoso, aparentemente uma suíte de luxo. As paredes eram decoradas com tapeçarias finas, e os móveis eram de madeira polida e ornamentos prateados. A cama em que estava deitada era macia, com lençóis de seda.

Suigetsu tenta disfarçar seu comportamento cuidadoso com a ruiva, voltando à habitual troca de farpas e implicância. — Eu sabia que você não ia durar muito tempo sem mim por perto. — Ele provoca, com um sorriso travesso.

Karin sorri timidamente, mas seus olhos mostram um cansaço profundo. — Obrigada. Eu não teria conseguido sem você.

— Você está segura agora. — Disse Suigetsu, tentando disfarçar a vergonha de seu comportamento carinhoso. — Eu te trouxe para um lugar seguro.

—  Você... ficou cuidando de mim? —  Ela perguntou, um pouco surpresa.

Ele revirou os olhos, tentando parecer indiferente. — Claro, alguém tinha que fazer isso. Não podia deixar você morrer por aí, não é?

Suigetsu, agora visivelmente mais sério, senta-se ao lado dela na cama. — Você quase morreu, sabia? Aquela batalha... foi perigosa demais. Eu não sei o que teria acontecido se eu não tivesse chegado a tempo.

Karin vê a preocupação genuína nos olhos dele. — Eu sei. Foi por pouco. Mas estou aqui agora, ... — Ela desvia o olhar, tentando esconder a timidez, antes de concluir: — ...graças a você.

Ele corou mais uma vez e desviou o olhar. — Não foi nada. Só... não vá ficando acostumada com isso, entendeu? Não sou eu o teu grande salvador Uchiha.

Ela ruborizou e reagiu de forma impulsiva tentando golpeá-lo, mas a dor a fez parar rapidamente. — Você sempre sabe como estragar um momento.

Ele ri suavemente, sentindo um calor reconfortante no peito. — Não foi nada. Só estou fazendo o meu trabalho, sabe. Faz parte do meu charme.

Eles ficam em silêncio por um momento, absorvendo a presença um do outro. Suigetsu, ainda tentando esconder sua preocupação, diz: — Descanse, Karin. Você precisa descansar. Precisamos de você em plena forma para o que estar por vir.

Ele saiu do quarto, deixando Karin descansar, mas seu coração estava pesado. Por trás das brincadeiras, ele estava claramente preocupado.

........

Na sala predominantemente escura, a tensão era sutil, quase imperceptível. Tetsuji estava em pé no meio de uma sala predominantemente longa e escura, com apenas uma iluminação branca ao fundo. Sua postura era reta e respeitável. Atrás dela, a pequena Kaho estava na mesma posição. As duas conversavam em voz baixa sobre os subordinados de Uchiha Sasuke da antiga Taka, questionando-se mutuamente até onde eles pretendiam ir, o que estavam investigando e o que já sabiam.

Esparramada em um grande sofá meia-lua de cor escura à frente delas estava Saki, brincando de forma despreocupada com suas madeixas douradas, embora seu rosto não contivesse o habitual sorriso que a acompanhava. Yun estava recostado na parede de braços cruzados, aparentemente irritado com algo não evidente. Mesmo na quase escuridão total, eles não se incomodavam, pois conseguiam enxergar no escuro.

O som de saltos tocando o chão em passos tranquilos e compassados rompeu o ambiente silencioso, anunciando a aproximação imponente de uma mulher poderosa. A sombra dela se revelou no fundo iluminado e, por fim, ela surgiu trajando um vestido longo preto de alças e cavado nas costas, tão fino que se tornava quase transparente, deixando pouco para a imaginação. Seus cabelos negros estavam presos em um coque bem-feito, os olhos cor de mel e a postura mansa e serena. Era conhecida como Fantasma da Chuva, Yurei, aquela que vê tudo e que ninguém nunca vê, a mulher a quem Tetsuji havia se reportado anteriormente e a superior imediata de todos que se encontravam naquela sala.

Ela estava acompanhada da muralha de musculos que era Sōya, o que aparentemente deixou Yun ainda mais irritado e desconfortável, algo que não passou desapercebido por Yurei, que sorriu com divertimento. Sōya, atrás dela, interrompeu o silêncio momentâneo ao levantar a voz de forma altiva para revelar detalhes da última ação. Explicou que Saki e Kaho foram as únicas a terem contato com os adversários, que falharam em conduzir a inimiga para o cerco que haviam preparado, mas conseguiram descobrir as verdadeiras identidades dos invasores: membros da Taka, seguidores de Uchiha Sasuke, possivelmente a mando do próprio ou de Orochimaru, interessado nos projetos que estavam sendo desenvolvidos na Vila da Chuva.

Yurei, a mulher atrás da mesa, não demonstrou perturbação. Ao invés disso, percebeu Saki e notou uma certa melancolia em seu comportamento. Perguntou a ela como estava e por que parecia chateada.

Saki levantou o olhar lentamente, seus olhos dourados encontrando os de Yurei. —Estou bem, senhora. — Respondeu, mas sua voz a traiu com uma nota de desânimo.

Yurei inclinou a cabeça ligeiramente, curiosa. — Então, por que essa melancolia, Saki?

Saki hesitou, mas sabia que mentir para Yurei era inútil. — Falhei em capturar a inimiga. Deixei que ela escapasse, apesar dos nossos esforços. Não estou acostumada a falhar.

Kaho, a figura de menor estatura ali, tentando retomar o foco da reunião, começou a explicar em detalhes o que aconteceu na luta e o que foi possível perceber das habilidades da adversária do Clã Uzumaki. — Ela usou técnicas de selamento poderosas, um Fūinjutsu que eu ainda não tinha visto. E parece que ela tem habilidades sensoriais e capacidades médicas poderosas...

Yurei, porém, não parecia interessada nas táticas ou nas habilidades específicas dos inimigos. Ela voltou sua atenção para Saki. — Diga-me, Saki. — Perguntou com uma voz suave e inquisitiva. — Qual foi a sensação de tentar predar um animal com poder suficiente para te matar em resposta?

Saki pensou por um momento. — Foi... emocionante, senhora. A adrenalina, a tensão. Mas também frustrante. Saber que estava tão perto e ainda assim falhei...

Yurei sorriu levemente, satisfeita com a resposta. Ela então fez várias outras perguntas a Saki, coisas que a princípio não faziam sentido, mas que faziam parte do método peculiar dela. — E como estava o clima? Sentiu alguma mudança no ar durante a batalha? E os cheiros, algum aroma específico?

Saki, tentando compreender a linha de raciocínio de Yurei, respondeu da melhor forma que pôde. — Chuvoso, como sempre. Mas, durante a luta, percebi um leve aroma primaveril e herbáceo, intensificado pelo jutsu daquela mulher. Seguido do cheiro metálico de sangue e a sensação gélida e perturbadora que aquele homem me causou quando surgiu.

Yurei acenou, absorvendo cada detalhe. — Muito bem. Continuem vigilantes. E você Tetsuji, prepare-se para mais investigações. E Saki, ... — Ela fez uma pausa, o olhar suave, mas firme. — ...não se deixe abater pela falha. A caçada ainda não acabou.

Com isso, Yurei se virou, deixando a sala em silêncio, exceto pelos pensamentos tumultuados de seus subordinados.

........

Ugatsu Yume, líder do clã Ugatsu, sentava-se rigidamente em uma mesa redonda em um bar vibrante, com música alta e pessoas rindo ao redor, contrastando com a atmosfera tensa entre ela e o homem à sua frente. Em frente a ela, o assassino de seu neto, Suigetsu, com um rosto e cabelo diferentes do que ela ouviu falar. Estava casualmente vestido com um sobretudo aberto, uma camisa branca de tecido fino e uma calça escura. Ele exibia um ar despreocupado, mas seus olhos brilhavam com astúcia.

— Se você veio até aqui sem fazer alarde, ... — Começou Suigetsu, sua voz suave. — ...provavelmente quer fazer um acordo. —  Ele sorriu ligeiramente, estudando as reações da velha senhora. — O clã Ugatsu é notoriamente habilidoso em sobreviver. Vocês passaram pelas principais guerras em Amegakure com mínimas perdas. Essa é uma característica marcante no sangue do seu clã.

Ela manteve sua expressão severa e indiferente, sem dar qualquer sinal de emoção. Ela observava Suigetsu com um olhar penetrante. Ele continuou: — Agora, estou em posse do cadáver do seu neto. O submundo, é claro, se interessaria muito pelas informações que um corpo como o dele pode conter.

A velha senhora não hesitou. Sua voz era fria e direta, diz: — O que você quer em troca do corpo?

Suigetsu cruzou os braços, inclinando-se para frente com um olhar sério. — Apenas confirmar a veracidade de alguns dados já colhidos por mim e minha parceira. — Ele fez um gesto para a mulher ao lado de aparência simples e pouco destacante, cuja presença tinha sido até então silenciosa, mas vigilante.

Yume assentiu lentamente, reconhecendo a seriedade do momento. — Os mais habilidosos guerreiros do nosso clã despertam uma habilidade sanguínea única. Seus corpos se aclimatam com facilidade a novas condições climáticas e biológicas, permitindo-lhes respirar em qualquer meio gasoso, seja hostil ou deficiente.

Ela fez uma pausa, avaliando a reação de Suigetsu antes de continuar com indiferença. — Não posso permitir que os segredos do meu clã caiam em mãos erradas. Preciso reaver o corpo do meu neto para descartá-lo de forma adequada. Em troca, estou disposta a fornecer as informações que você deseja.

Suigetsu estudou a mulher a frente por um momento, considerando suas palavras. — A sua franqueza é apreciável. —  Disse ele, finalmente. — Mas a confiança é algo que se conquista e vou precisar de uma demonstração de boa-fé.

Yume manteve sua expressão imperturbável. — E o que você sugere como demonstração?

— Você pode começar compartilhando detalhes sobre como essa habilidade sanguínea se manifesta em seus guerreiros. — Respondeu Suigetsu. — Quais são os sinais iniciais? Há algum treinamento ou evento específico que a desperta?

Ela assentiu. — A habilidade se manifesta geralmente durante situações extremas, como um reflexo de sobrevivência. Os sinais iniciais incluem uma adaptação rápida a mudanças bruscas no ambiente, como temperaturas extremas ou atmosferas tóxicas. Não há um treinamento específico, mas sim uma seleção natural onde apenas os mais resilientes sobrevivem e despertam essa habilidade.

Suigetsu absorveu a informação, satisfeito com a resposta inicial. — Muito bem, isso é um bom começo. — Ele se recostou na cadeira, observando Yume. — Se continuar assim, você terá o corpo do seu neto de volta em breve. Mas qualquer tentativa de me enganar ou ocultar informações será tratada de forma adequada.

Yume manteve sua postura severa, mas havia um brilho de determinação em seus olhos. — Eu entendo. Vamos proceder conforme o acordado.

Com isso, ambos sabiam que estavam entrando em um jogo perigoso de confiança e necessidade, onde cada movimento poderia determinar o futuro de suas intenções.

........

Em um pequeno vilarejo, afastado da vila principal e gravemente afetado economicamente, havia um ambiente sombrio e opressivo. Cercado por formações rochosas que se erguem acima das casas decadentes, o vilarejo sofre com a chuva incessante, o frio cortante e o lodo que cobre as ruas e os prédios. As cabanas são velhas, com pintura descascada e rachaduras nas paredes, refletindo a miséria dos moradores.

No meio dessa desolação, uma mãe se encontra com seus três filhos, enfrentando uma escolha horrível e impensável. O mais velho, um jovem que perdera a perna, tenta mostrar coragem apesar de sua vulnerabilidade. O filho do meio, ainda uma criança, esconde-se atrás da saia longa da mãe, os olhos cheios de medo e confusão. O mais novo, um bebê, é segurado no colo da mãe, alheio ao destino que pode lhe aguardar.

Diante deles, um homem sinistro e sem escrúpulos propõe uma barganha perversa: ele resolveria todos os problemas da família, mas em troca, exigia uma das crianças para servir de cobaia nos experimentos cruéis de Amegakure. Ele descreve o destino aterrador que aguardava a criança escolhida, ressaltando que sofreria as maiores dores físicas imagináveis.

O homem sugere que a mãe escolha o mais novo, pela sua inocência e falta de compreensão, ou o mais velho, por já estar inválido. Quando o jovem tenta se oferecer corajosamente, a mãe, tomada por uma mistura de raiva, culpa, medo e desespero, agarra violentamente o braço do filho do meio e o joga aos pés do homem, machucando o rosto do menino.

— Este! — Ela grita, sua voz carregada de emoção.

O homem ri, satisfeito, enquanto recolhe a criança que esperneia e grita de terror. Ele se vira para ir embora, mas não antes de deixar um saco de moedas no chão lodoso e sujo.

Mas já na manhã seguinte, a mãe e seus dois filhos restantes são encontrados mortos em casa, assassinados brutalmente. Um boato sobre o dinheiro guardado pela mãe dos três meninos se espalhou pelo vilarejo, levando os vizinhos, desesperados e sem escrúpulos, a cometerem um ato bárbaro. Refletindo a desesperança e a crueldade que podem emergir em tempos de desespero.

descriptionA NÉVOA RUBRA E OS MISTÉRIOS DA VILA DA CHUVA  EmptyRe: A NÉVOA RUBRA E OS MISTÉRIOS DA VILA DA CHUVA

more_horiz
CAPÍTULO 9: ONDE A CHUVA CAI

A atmosfera no bar permanece carregada de tensão. A líder do clã Ugatsu, permanecia em silêncio e inabalável como sempre. O Hōzuki, no entanto, com seu semblante sério, é quem inicia a discussão, revelando suas descobertas.

— Localizei uma base em uma área remota ao sudoeste da vila da chuva. — Começa ele, sua voz firme e controlada. — Encontrei dados referentes a centenas, talvez milhares de crianças e jovens retirados de suas famílias.

Ele faz uma pausa, avaliando a reação de Yume. — Descobri que o submundo está injetando dinheiro em larga escala em Amegakure, atraindo várias empresas e instituições para financiar algum tipo de experimento com essas crianças, e outras atividades ilegais e desumanas.

Suigetsu faz mais uma pausa, observando atentamente as reações dela. — Qual é o propósito disso tudo? Que fim levaram todos aqueles jovens e crianças, cujo único rastro de suas existências são arquivos com fotos de cada uma delas? Por que não há ninguém, família ou parentes procurando por elas?

Yume sorri, um riso sarcástico. — A grande maioria delas foi simplesmente entregue ao submundo, por não apresentarem qualquer valor para a vila se não monetário. — Responde ela com uma frieza que arrepia. — Não sei qual é o destino certo delas após serem entregues para os senhores do crime. Já as que foram selecionadas para ficar, principalmente aquelas que apresentaram características únicas, têm seus órgãos removidos e vendidos por todo o continente. Que é o segundo mercado mais lucrativo para a vila.

Ela faz uma pausa, seus olhos negros fixos em Suigetsu. — Existem aquelas poucas crianças e jovens que apresentam um potencial muito acima dos outros. Estes não possuem um destino muito diferente das demais, só que, ao invés de terem seus órgãos simplesmente retirados, são melhorados e otimizados para se tornarem super-soldados, transformados em algo novo que mescla ninjutsu e máquinas.

Suigetsu faz um gesto sutil para a mulher ao seu lado, que assente, confirmando a veracidade das palavras de Yume. A mulher ao lado de Suigetsu, é a Karin disfarçada que possui um sensor de chakra que lhe permite detectar mentiras, e sua confirmação dá um peso adicional às revelações perturbadoras.

Yume continua: — Os caminhantes, aqueles que realizam acordos diretamente com as famílias em troca de um 'potencial', tratam de eliminar quaisquer rastros de seus negócios. Muitas vezes, eliminam qualquer associação dessas crianças com sua vida pregressa.

Ela faz uma pausa, seu olhar transitando entre o homem e a mulher a sua frente. — Eles fazem negócios com praticamente qualquer pessoa, não apenas em troca de um potencial em uma criança. Mesmo que muitos reconheçam o perigo de fazer negócios com eles, em tempos desesperadores, eles vendem a “esperança”.

— Isso é monstruoso. — Murmura Karin, a conversa carregada de uma tensão palpável.

Suigetsu, com o olhar frio e calculista. — E você simplesmente permite isso? Permite que seu próprio clã participe de algo tão desprezível?

Yume o encara com indiferença. — Meu clã faz e fara o que é necessário para sobreviver e prosperar. — Responde ela com uma calma inquietante. — Você deveria entender isso, pequeno demônio. No mundo em que vivemos, apenas os fortes sobrevivem ou aqueles mais adaptados as mudanças, e às vezes, a sobrevivência exige sacrifícios.

O Hōzuki, com um olhar inquisitivo e penetrante, pergunta: — Quero detalhes sobre o processo de aprimoramento. Como acontece? O que é feito para transformar crianças, jovens, homens e mulheres em soldados melhorados? E qual é o grande projeto da vila da chuva? Vocês pretendem enriquecer vendendo esses super-soldados para o submundo ou criar um exército para fazer frente às grandes vilas?

Yume, com um sorriso enigmático e fria indiferença, responde: — O processo de aprimoramento é um segredo muito bem guardado pelas quatro casas que controlam a vila da chuva. Eu mesma não sei os detalhes exatos. Contudo, posso lhe dizer que a vila da chuva ainda não está em fase de mercantilização dos super-soldados. Por enquanto, seus pés ainda pisam em uma grande fábrica de armas e equipamentos altamente tecnológicos, produzidos e comercializados em larga escala, é claro.

Ela faz uma pausa, observando Suigetsu cuidadosamente antes de continuar: — Essas armas e equipamentos são capazes de funcionar extraindo chakra de seus portadores, aumentando o potencial letal delas. Isso atrai muito interesse dos compradores, pois, transforma alguém com capacidades mínimas de moldagem de chakra em um soldado com poder equiparável aos poderosos ninjas. É uma forma de equalizar o campo de batalha, por assim dizer. Mas, para Amegakure, essas inovações são apenas o começo.

Ele absorve as informações, ponderando sobre as implicações. A revelação de que Amegakure está focada em fabricar armas e equipamentos tecnológicos em larga escala, capazes de transformar pessoas comuns em soldados poderosos, é alarmante. Ele percebe que essa tecnologia pode mudar drasticamente o equilíbrio de poder no mundo ninja.

Ele questiona mais: — E essas quatro casas? Qual é o papel delas nesse esquema?

Yume, com um olhar calculista, responde: — As quatro casas são as famílias que governam Amegakure. Cada uma controla uma parte essencial do processo de desenvolvimento e fabricação dessas tecnologias. Elas são rivais entre si, mas todas compartilham o objetivo de fortalecer a vila e aumentar seu poder. Meu clã, os Ugatsu, tem uma função estratégica nesse cenário, mas mesmo nós não sabemos todos os segredos. O poder é fragmentado e protegido para evitar que qualquer um de nós tenha controle absoluto.

Suigetsu faz um gesto para a mulher ao lado, que novamente assente, confirmando que ela está falando a verdade.

Ela observa o jovem espadachin com um olhar enigmático e frio. Com uma voz baixa, quase conspiratória, ela começa a falar: — As quatro famílias são cada uma representada por uma besta ou monstruosidade, refletindo sua natureza e propósito dentro da vila. Elas são pilares de poder e influência, cada uma com seu papel específico na estrutura de nosso domínio.

Ela faz uma pausa, seus olhos penetrantes fixos em Suigetsu, antes de continuar:

— Primeiro, há a casa Jubokko. Liderada por remanescentes de guerra, eles que se renderam à fé de Uzumaki Nagato, acreditando que a dor seria o único caminho para o entendimento entre os homens. O símbolo deles é a árvore vampírica, que se alimenta do sangue dos caídos. São fanáticos, poucos vistos, por raramente subirem a superfície, mas que buscam uma espécie de ascensão divina através da dor. A natureza de suas ações se mantém, em boa parte, obscuras.

O espadachim absorve as palavras com atenção, relembrando algumas vagas memórias de Giyu em que alguns membros e subordinados desta casa apareciam. Yume continua:

— Em seguida, a casa Ubume, dedicados a proteger a vila de ameaças externas. Eles são guardiões, que se certificam de que nenhum inimigo possa ameaçar os filhos da vila da chuva ou os interesses destes. São munidos das mais poderosas armas criadas nestas terras e liderados por um fantasma que a tudo ver...

........

Yurei permanecia imóvel encostada ao parapeito de uma sacada, enquanto a chuva caía sobre seu corpo nu. A água fria parecia não a incomodar, pois sua mente estava absorta em pensamentos, pensamentos envoltos em uma teia de reflexões sobre os recentes acontecimentos. O quarto, luxuoso e austero, à meia-luz, contrastava com a simplicidade de sua postura exposta a chuva fria e constante, um lembrete da natureza implacável de Amegakure.

Ela, conhecida como o Fantasma da Chuva, possuía uma habilidade singular e temida: a capacidade de invadir sistemas cibernéticos, restaurar informações corrompidas e quebrar códigos de segurança. Sua mente é um supercomputador humano, capaz de assumir o controle de equipamentos tecnológicos com um simples pensamento. Ela vê através de câmeras, ouve através de rádios e dispositivos de áudio, e controla uma vasta rede de robôs autônomos em forma de animais espalhados por toda a vila.

Milhares ou, talvez, dezenas de milhares de robôs no formato de cães, gatos, ratos e até aves são seus olhos e ouvidos, patrulhando incessantemente, coletando informações e garantindo que nada escape à vigilância dos seus olhos.

Isso através de um neurochip com uma interface mental própria que ela usa para controlar essas unidades, que respondem diretamente ao seu pensamento. Sua capacidade mental era extraordinária, tornando-a a única pessoa capaz de emparelhar mentalmente com tantas unidades de monitoramento e reconhecimento de forma simultânea.

Essa habilidade não apenas a tornava uma vigilante implacável, mas também explicava por que raramente era superada por qualquer shinobi. Ser capaz de rastrear, observar e ouvir através de tantas perspectivas diferentes a tornava quase onisciente dentro de Amegakure. Mas a habilidade dos invasores, seguidores de Uchiha Sasuke, a havia surpreendido. Era raro encontrar alguém capaz de escapar de sua vigilância, o que a deixava inquieta e intrigada.

Sōya, nu e com um ar possessivo, aproximou-se dela por trás, envolvendo sua cintura com os braços e o seu grande corpo. O contato físico e a intimidade recente sugeriam que haviam compartilhado um momento carnal. Yurei aproveitou a proximidade para comentar com Sōya, sua voz em um sussurro suave contra o som da chuva:

— Nunca fui superada por nenhum shinobi até agora. — Ela comenta, quase como se estivesse falando consigo mesma. — A mulher do Clã Uzumaki foi detectada uma vez pelos meus brinquedos, mas desde então, tornaram-se mais cuidadosos.

Ele, não soube dizer se havia frustação ou entusiasmo em sua voz, mas a apertou um pouco mais, oferecendo o conforto silencioso que achava necessário. Ele conhecia bem o orgulho de Yurei, a líder da casa Ubume, ela retornaria de seus desvaneios mais implacável e mais astuta do que nunca. Ela, por sua vez, parecia distante, sua mente focada em outra parte da vila, observando através de seus muitos olhos.

........

— Por fim, as casas Hanzaki e Jorōgumo. Os Hanzaki, são compostos por uma família de antigos ferreiros da vila da chuva, e que hoje são especializados na invenção e produção de armas de fogo que empregam aplicações direta de chakra. Enquanto os Jorōgumo, a família a qual meu clã, os Ugatsu, é subordinado, controlam os aspectos econômicos e políticos da vila. Simbolizado pela aranha encantadora, tecem suas teias de influência e poder por toda a vila e mesmo fora desta. Eles são os mestres das intrigas e das negociações, manipulando tudo em busca de poder e influência.

Ele então pergunta: — E qual é o papel do seu clã dentro dessa estrutura?

Ela, com um sorriso sarcástico, responde: — Nosso papel é garantir que os interesses da nossa casa sejam sempre protegidos e promovidos. Nós somos os olhos e ouvidos deles, executando suas ordens e assegurando que suas tramas avancem sem impedimentos

Suigetsu sorriu com escárnio. E com sua voz carregada de ironia, diz: — Curioso o que você acabou de falar. — Inclinou-se para a frente, seus olhos brilhando de malícia. — Pois aí está você, protegendo os interesses do seu clã acima dos interesses deste projeto maior.

Yume manteve-se imperturbável, observando-o com uma curiosidade calculada. Ele continuou: — Mas eu entendo. Os interesses individuais de cada indivíduo também devem ser respeitados, pois não se está lidando com cascas vazias sem identidade.

A sala estava silenciosa, exceto pelo som abafado da chuva lá fora. Ele fixou seu olhar na mulher já de idade, a provocação em sua voz tornando-se mais afiada. — Agora, você deveria repensar a rota que seguirá a partir de então. Um projeto ambicioso como este, querendo transformar Amegakure em uma potência capaz de fazer frente às cinco grandes vilas, é algo que atrairia a sombra da guerra para dentro do seu território novamente.

Ele fez uma pausa, deixando as palavras penetrarem. — Vão acabar tendo o mesmo fim que os Uzumaki.

Ela estreitou os olhos, seu sorriso desaparecendo lentamente, enquanto alternava seu olhar entre os dois jovem a sua frente. Karin então fez a pergunta que pairava no ar. — Qual interesse prevaleceria? A sobrevivência do seu clã ou a ambição dos seus superiores?

A mais velha manteve-se em silêncio por um momento, ponderando as implicações. Suigetsu e Karin sabiam que tinham tocado em uma questão fundamental, uma escolha entre lealdade e sobrevivência.

Ela, sempre calma e inexpressiva, ouvia as palavras de Suigetsu com um interesse frio. Suas palavras não mostravam nenhuma emoção enquanto ela ponderava sua resposta. Finalmente, com uma leve inclinação de cabeça, ela respondeu:

— Você levanta uma questão interessante, pequeno demônio. A história da vila da chuva é repleta de sobrevivência à beira da extinção. Meu clã, como você bem observou, sempre priorizou sua sobrevivência acima de tudo. Porém, o projeto para transformar Amegakure em uma potência global é também uma forma de garantir que nunca mais sejamos relegados à insignificância.

Ela fez uma pausa, olhando para o homem a sua frente com seus olhos frios e calculistas, avaliando cada reação dele.

— A sombra da guerra já está sobre nós, quer queiramos ou não. Fugir dela é impossível. Então, ao invés de fugir, nós escolhemos enfrentar. Esse projeto, por mais sombrio que possa parecer, é nossa chance de assegurar um futuro para a vila da chuva, um futuro em que não sejamos apenas peões no jogo das grandes vilas. No entanto, não somos tolos. Sabemos dos riscos, e é por isso que jogamos em todas as frentes. Protegeremos nosso clã, mas também não viraremos as costas para a oportunidade de elevar nossa vila.

Ela então inclinou-se ligeiramente para frente, seus olhos fixos nos dele, a intensidade em sua voz aumentando.

— E quanto a você, pequeno demônio da névoa? O que você sugere? Como equilibrar esses interesses, garantindo tanto a sobrevivência da vila da chuva quanto a segurança de nossos clãs?

Suigetsu sorriu, percebendo que havia conseguido instigar uma reflexão importante nela. — A buscar por poder absoluto pode trazer destruição tanto quanto a fraqueza. Talvez seja possível encontrar uma terceira via, uma que permita a sobrevivência e prosperidade da vila da chuva através desses avanços tecnológicos sem atrair a ira das grandes vilas.

Ele manteve seu sorriso sarcástico, mas havia um brilho de reconhecimento em seus olhos. Continuando: — Meu interesse, senhora Yume, é simples. Isto não é apenas uma missão de investigação; estamos aqui para desmantelar qualquer ameaça que pudesse surgir contra as cinco grandes nações. Mas também queremos expor a verdade por trás dessas atrocidades e acabar com esse ciclo de sofrimento que aflige seu próprio povo.

A tensão entre os dois aumentou, cada um avaliando o outro como possíveis aliados ou inimigos. No entanto, ambos sabiam que, em um mundo de constantes guerras e traições, alianças momentâneas eram uma necessidade.

Yume, com um pequeno sorriso, assentiu.

— Então, parece que temos um entendimento. Por agora, nossos interesses podem se alinhar, no sentido de querer evitar uma guerra.

Suigetsu riu, um som baixo e rouco.

A conversa havia terminado, mas a aliança frágil formada entre eles era apenas o começo de uma nova e perigosa fase no confronto entre a Taka e Amegakure.

........

Sob a chuva da noite, com os olhos fechados e o rosto erguido para o céu, ele parecia querer absorver as sensações que a chuva e o frio provocavam em sua pele. Seus longos cabelos castanhos, agora soltos, bailavam conforme a ventania. De longe, emitia uma paz intimista, mas a verdade é que sua mente estava a um turbilhão.

Memórias de um passado longínquo emergiam, reavivando a época em que era apenas um jovem rapaz, mas já reconhecido por suas habilidades como curandeiro, especializado em plantas medicinais. Ele se lembrava vividamente do dia em que dois irmãos gêmeos foram ao seu encontro para tratar a doença de um deles, o dia em que ele conheceu os dois e se apaixonou perdidamente por um deles.

Ele estava em sua pequena cabana, cercado por ervas e poções, quando ouviu a porta se abrir. Dois irmãos gêmeos entraram, encharcados, ambos com expressões de preocupação, mas um deles estava visivelmente mais abatido. Os olhos ônix de um dos irmãos suplicavam por ajuda, enquanto ele se agarrava ao corpo do irmão mais frágil com uma dedicação tocante.

— Por favor, precisamos de sua ajuda. — Disse um dos irmãos, suplicante. — Meu irmão está doente.

Ele se aproximou do gêmeo doente, que estava muito febril e pálido, e começou a examiná-lo. Sentiu uma pontada de tristeza ao ver a dor nos olhos do jovem. — Eu farei o que puder. — Prometeu, suas mãos já trabalhando com as ervas. E cumpriu, conseguindo retardar a doença por um bom tempo, proporcionando longos períodos de bem-estar.

Vários flashs de boas memórias com os três se seguiram em sua mente: risos compartilhados, momentos de ternura e cumplicidade. Ele via as memórias dos três caminhando juntos pelo campo, rindo e conversando sobre trivialidades. Lembrava-se dos olhos brilhando de gratidão e dos momentos de paz que passaram juntos.

— Você é um milagreiro. — Disse, sorrindo enquanto observava o irmão caminhando a frente.

— Eu só faço o que posso com o que a natureza nos oferece. — Respondeu humildemente.

Apesar de serem quase idênticos, distinguiam-se pela cor do cabelo: um tinha cabelos azulados, o mais extrovertido dos três, e o outro, um tom de verde escuro, o oposto do irmão, sempre sério e de poucas palavras. Mas essas lembranças felizes foram interrompidas pela memória da súbita piora no quadro do irmão doente. Suas medicações e conhecimentos não conseguiam mais combater a doença, ele tentou de tudo, todas as ervas e poções que conhecia, mas nada parecia conter o avanço da doença ou aliviar a dor intensa que o jovem sentia.

— Por favor, faça algo! — Implorou o irmão em boa saúde, segurando a mão dele com certo desespero. — Não posso perder meu irmão, é tudo o que me restou.

Ele olhou para os olhos da pessoa por quem estava apaixonado, sentindo-se impotente e frustrado. — Estou tentando. — Murmurou, sua voz carregada de desespero. — Estou tentando...

A memória se cortou para outra cena, quando misteriosamente uma figura surgiu em sua cabana, estendendo uma mão biônica, oferecendo ajuda em troca de um acordo. Ele sentia a angústia e a desesperança daquele momento, quando todas as suas habilidades e esforços pareciam insuficientes.

— Eu posso ajudar. — Disse a figura, sua voz suave. — Mas haverá um preço.

Ele olhou para a mulher, a oferta de ajuda misturada com a ameaça implícita do acordo, e viu o irmão que amava apertar a mão dela em meio aos gritos estridentes de dor do outro irmão reverberando por toda a cabana.

Ele então abriu os olhos e encarou o céu, sentindo a chuva fria escorrer pelo rosto. As gotas de chuva caíam em seu rosto, misturando-se com lágrimas que ele não percebeu está chorando. A dor e a culpa misturavam-se com a raiva e a frustração acumuladas ao longo dos anos. As emoções conflitantes o consumiam, deixando-o vulnerável e exposto, como se a chuva pudesse lavar a dor, mas não as cicatrizes profundas de seu coração.

O passado e o presente se misturavam, as memórias trazendo uma dor quase insuportável. A chuva caía mais intensamente, quase como se o céu compartilhasse de sua tristeza, enquanto ele permanecia ali, sozinho com suas memórias e seu tormento, tentando encontrar um sentido ou uma resolução em meio à tempestade interna e externa que o cercava.

— Eu fiz o que pude. — Sussurrou para a noite, seu coração pesado carregando consigo todo o peso das lembranças.

descriptionA NÉVOA RUBRA E OS MISTÉRIOS DA VILA DA CHUVA  EmptyRe: A NÉVOA RUBRA E OS MISTÉRIOS DA VILA DA CHUVA

more_horiz
CAPÍTULO 10: JARDIM DE MÁSCARAS

Em um fechado dojo, duas figuras esguias e masculinas se enfrentavam, suas katanas cintilando à luz suave que penetrava pelas janelas de papel de arroz. O som metálico das espadas cortando o ar e se encontrando ressoava pelo ambiente, ecoando nas paredes. Os movimentos eram precisos, quase coreografados, demonstrando a habilidade e a experiência de ambos os espadachins.

Um era um homem mais velho, de meia-idade, tinha cabelos grisalhos e dessarrumados que contrastavam com sua barba bem desenhada. Ele se movia com a tranquilidade e a confiança de alguém que já tinha visto muitas batalhas, seus olhos observando atentamente cada movimento do adversário. Usava um hakama de cor clara, que fluía com cada movimento, dando-lhe uma aparência quase etérea.

Seu adversário era um jovem de cabelos longos e pretos, amarrados em um rabo de cavalo baixo e frouxo. Uma franja caía sobre seu rosto, escondendo parcialmente uma cicatriz horizontal que atravessava seus olhos, sugerindo que ele havia perdido a visão. Apesar disso, seus movimentos eram precisos e graciosos, como se a falta de visão tivesse aguçado seus outros sentidos. Ele também vestia um hakama claro, que contrastava com o vermelho escuro da cicatriz.

— Parece que Amegakure está se tornando um ponto de interesse, não é? — Disse o mais velho, ajustando a posição de sua katana e bloqueando um golpe com facilidade desviando-o para a esquerda. — Uzumaki Karin e Hōzuki Suigetsu não apareceriam aqui sem um bom motivo.

— Concordo. — Respondeu o jovem, girando graciosamente para evitar um corte e contra-atacando com um movimento rápido e fluido. — Isso sugere que as ações da vila estão chamando a atenção de figuras poderosas. Uchiha Sasuke ou talvez Orochimaru.

— Não estamos aptos a enfrentar alguém desse calibre ainda, mas essa não é a nossa responsabilidade, afinal. — Comentou o homem grisalho, respirando tranquilamente enquanto observava seu adversário.

O jovem riu suavemente, uma risada sem alegria.

— Verdade. — Disse ele, avançando com uma série de golpes rápidos e precisos que o homem mais velho bloqueou com uma habilidade aparentemente sem esforço. — Mas confesso que estou curioso sobre o demônio do Clã Hōzuki. Dizem que ele domina todas as sete espadas da névoa oculta. Seria interessante testar minhas habilidades contra ele.

O homem mais velho sorriu, desviando de um golpe e contra-atacando com um movimento rápido que fez o jovem recuar.

— Sempre em busca de um desafio, hein? — Perguntou, sua voz carregada de animação e um leve tom de preocupação. — Mas devemos ser cautelosos. Esses inimigos são diferentes de tudo que já enfrentamos.

Ambos se afastaram, mantendo as espadas baixas, mas prontas, respirando levemente. O ambiente voltou a ficar silencioso, exceto pelo som distante da chuva batendo no telhado do dojo.

— Eu sei. — Disse ele, sua voz agora mais sombria.

Eles voltaram à posição inicial, prontos para continuar seu treino, sabendo que cada movimento os aproximava mais da perfeição.

........

Karin, disfarçada como um jovem rapaz trabalhando de garçom, manobrava pela casa noturna vasta e barulhenta. A música era um estrondo contínuo, reverberando nas paredes e no chão, enquanto luzes piscavam em um frenesi de cores. O cheiro era uma mistura enjoativa de álcool, suor e substâncias ilícitas, perfumada por aromas intensos de perfume barato. Ao voltar para reabastecer a bandeja, ela foi ordenada a servir drinks para a turma de um homem chamado “Pequenino” na área VIP, localizada atrás das cortinas gigantes que serviam como divisória.

Enquanto caminhava pela multidão, Karin relembrou o quanto Yume havia contribuído para ajudá-los a evitar os olhos da "Fantasma da Chuva". Conhecedora de diversas passagens antigas e secretas de Amegakure, Yume era uma memória viva de guerra. Esse conhecimento havia sido vital para eles.

Durante o trajeto, ela teve que se esquivar de pessoas dançando desordenadamente, bêbadas e drogadas, suas expressões vazias e olhos vidrados. A bandeja de coquetéis em suas mãos parecia um escudo frágil contra a decadência ao seu redor.

A área VIP, oculta por cortinas gigantes de tons pasteis justapostas, era um espaço amplo e luxuoso em contraste gritante com a área comum. Passando pelas cortinas, ela observou vários homens vestidos de terno e gravata, políticos e empresários de todos os tipos, se misturavam em um ambiente carregado de luxo. A música, ainda alta, tinha um tom mais sofisticado, mas igualmente penetrante.

Plataformas elevadas exibiam mulheres quase nuas ou completamente nuas, movendo-se de maneira provocante sob as luzes coloridas. Algumas delas estavam deitadas em almofadas de seda, outras se contorciam em barras de pole dance, todas sob os olhares lascivos de homens tarados e inescrupulosos. As mulheres estavam sob influência de capacetes que Karin reconheceu, semelhantes aos que ela havia visto acoplados às caçadoras. Isso indicava que essas mulheres não tinham mais controle sobre seus corpos, transformadas em meros objetos para satisfazer as obscenidades dos presentes.

A visão dos homens que realizavam atos carnais ao vivo, com gente observando por todos os lados, foi o que mais causou repulsa em Karin. Alguns brincavam de jogos envolvendo dinheiro, apostando quem conseguiria fazer as mulheres realizarem atos mais degradantes. Havia risos altos e comentários nojentos, enquanto mãos sujas passavam notas de dinheiro de uma para outra.

Karin quase vomitou ali mesmo, o estômago revirando de nojo. A cena era um pesadelo vivo, cada detalhe mais grotesco do que o anterior. As mulheres, sem consciência, sem escolhas, eram tratadas como bonecas sem vida.

Ela não pôde evitar pensar no quanto aquele ambiente a deixava incomodada, sentindo uma raiva crescente e um desejo ardente de destruir tudo aquilo. A indignação em seu coração era tão intensa quanto o cheiro sufocante de drogas e sexo no ar.

“Que lugar imundo.” Pensou, engolindo a bile que subia em sua garganta. “Como alguém pode fazer isso com outro ser humano?”

Com a bandeja de drinks firmemente nas mãos, e com uma pequena indicação de um colega de trabalho também servindo bebidas por ali, ela se aproximou do grupo do tal ‘Pequenino’, a raiva e o asco fervendo dentro dela. Ela sabia que tinha uma missão a cumprir, mas não conseguia evitar desejar um fim imediato para todos aqueles desgraçados que se deleitavam na miséria alheia.

Ao se aproximar do grupo ao redor do 'Pequenino', ela avistou uma figura familiar. Era Suigetsu, disfarçado, que lhe entregou um olhar compreensivo, quase como um pedido de desculpas pela cena horrível que ela havia presenciado. Aquilo trouxe um mínimo de conforto a Karin, mas o sentimento de nojo e raiva ainda fervia dentro dela.

O 'Pequenino', ironicamente, era um homem grande, alto e gordo. Sua aparência era perturbadora; ele não possuía íris ou pupilas, mas sim uma esclera completamente enegrecida, dando-lhe um olhar quase demoníaco. Ele estava cercado por duas mulheres, ambas evidentemente sob a influência dos capacetes de controle.

Ela observou com um misto de repulsa e raiva quando aquele homem grotesco puxou o rosto de uma das mulheres para si, beijando-a de forma despudorada e vulgar, sua língua invadindo a boca dela. A mulher não tinha expressão, o que tornava a cena ainda mais grotesca. A visão fez com que Karin se arrepiasse de nojo, o asco era palpável.

Ela sentiu o gosto amargo da bile subir em sua garganta novamente, mas se forçou a manter a calma e a compostura. Sabia que qualquer reação emocional forte poderia comprometer seu disfarce.

“Força, Karin, força.” Pensou ela, enquanto colocava a bandeja de drinks na mesa diante dele e seus acompanhantes.

Enquanto ela servia os drinks, ouviu fragmentos de conversa entre os homens ao redor. Eles falavam de negócios escusos, transações ilegais e planos futuros que envolviam grandes somas de dinheiro e poder.

“Eles estão todos mergulhados até o pescoço na podridão.” Pensou ela, cada vez mais determinada a fazer algo para acabar com aquela barbaridade, enquanto dava um passo para trás, tentando não demonstrar a tempestade de emoções que fervilhava dentro dela. Ela precisava ser paciente, precisava ser esperta.

Antes que Karin pudesse fazer qualquer outro movimento, o tal Pequenino voltou sua atenção para ela, sua voz cortante e carregada de sarcasmo.

— Jovem, por que não se junta a nós? — Sugeriu ele, com um sorriso que mais parecia um esgar. Os homens ao redor da mesa trocaram olhares confusos, suas expressões oscilando entre a surpresa e a perplexidade.

Karin respondeu com a voz firme, mas educada:

— Agradeço, senhor, mas prefiro continuar com meu trabalho.

O sorriso dele se alargou, revelando dentes amarelados e desalinhados. Seus olhos escuros e sem vida, fitando-a intensamente.

— Interessante. — Murmurou ele. — Sempre pensei que vocês dois estivessem aqui por minha causa, afinal, não é todo dia que recebemos visitas tão... especiais, como ninjas subordinados ao Uchiha Sasuke.

O ambiente congelou. Karin e Suigetsu trocaram olhares rápidos, seus corpos instantaneamente tensos. Os outros homens ao redor da mesa olharam entre o homem grotesco a sua frente e o jovem garçom, o choque estampado em seus rostos.

Usuzumi Soga, líder da casa Jorōgumo, mais conhecido como Pequenino, riu suavemente, o som reverberando pelo espaço como um trovão abafado.

— Vocês realmente achavam que poderiam me enganar? — Continuou ele, sua voz agora baixa e ameaçadora. — Sou o mestre das mentiras e enganações. Nenhuma farsa, por mais elaborada, consegue escapar aos meus olhos.

Karin sentiu um frio na espinha. A atmosfera ao redor da mesa ficou densa, quase sufocante. Usuzumi Soga era um homem enigmático, conhecido por sua paciência e meticulosidade. Ele não apenas via através das mentiras; ele as manipulava, transformando qualquer situação a seu favor com uma precisão assustadora.

— Fico curioso para saber o que exatamente vocês esperavam conseguir aqui. — Disse ele, inclinando-se para frente. — Pensaram que poderiam entrar em meu território, disfarçados como dois ratos, e sair ilesos?

Suigetsu, mantendo a calma, respondeu:

— Parece que subestimamos sua capacidade. Isso é algo que não acontecerá novamente.

Soga sorriu novamente, dessa vez com uma expressão de pura satisfação.

— Vocês subestimaram muitas coisas, parece. — Respondeu ele, sua voz agora mais tranquila. — Mas vou dar a vocês o crédito por sua audácia. Poucos ousariam tentar o que vocês fizeram. E agora, a verdadeira diversão começa.

Os homens ao redor da mesa estavam paralisados, seus rostos uma mistura de medo e confusão. Soga levantou-se lentamente, seu enorme corpo se movendo com uma graça surpreendente para alguém de seu tamanho.

— Eu prometo que esta será uma noite inesquecível. — Disse ele, cada palavra um veneno gotejando de seus lábios.

........

No centro do campo de testes, um espaço amplo e tecnológico, repleto de equipamentos avançados e estruturas metálicas. O chão estava marcado com linhas brilhantes, delineando áreas de combate. O som de maquinário e sistemas de energia ecoava pelo espaço, criando uma atmosfera de tensão e expectativa.

Saki e Kaho observavam da plataforma de comando, seus olhos fixos em Yun, que estava prestes a enfrentar seis oponentes equipados com trajes robóticos. As armaduras brilhavam com um azul metálico, exibindo um design futurista e ameaçador. Cada traje era equipado com armas integradas e capacidades de defesa avançadas, tornando-os formidáveis adversários.

Com um sinal de Kaho, a luta começou.

Os seis oponentes avançaram em formação, suas armaduras emitindo um zumbido baixo. Yun se moveu com rapidez, desviando dos primeiros ataques. Um dos robôs tentou acertar um soco, mas ele girou no último segundo, esquivando-se e contra-atacando com um chute rápido que acertou a junta do joelho do robô, causando uma faísca de energia.

Ele com mais um ataque rápido, lançou suas descargas elétricas sob o primeiro oponente. Surpreendendo-se, quando a eletricidade parecia ser absorvida pela armadura, sem causar dano algum. — Droga! — Murmurou Yun, percebendo que suas descargas elétricas não funcionariam como esperado.

— Essas armaduras são feitas com uma camada de malha metálica com polímeros condutores e um exoesqueleto incorporado para gerar um escudo eletromagnético poderoso. — Comentou Kaho, sua voz calma ecoando pelo campo de testes. — Você vai precisar de outra abordagem, Yun.

Outro robô tentou acertar Yun com uma lâmina embutida no braço. Ele evita com um salto para trás, evitando o corte, e em seguida lançou um raio de eletricidade a partir de suas mãos, que percorreu o ar e atingiu o robô no peito, não causando qualquer dano, novamente.

Os outros quatro robôs se aproximaram em um ataque coordenado. Yun se agachou e rolou para o lado, evitando uma rajada de projéteis que passaram zumbindo acima de sua cabeça.

Ele franziu a testa, adaptando rapidamente sua estratégia. Ele se moveu com agilidade, desviando dos golpes pesados dos oponentes robóticos, enquanto sua longa trança dançava no ar de forma sinuosa em conformidade aos seus movimentos. Cada movimento era calculado, sua mente trabalhando a mil por hora para encontrar uma forma de vencer.

Um dos oponentes avançou, balançando um braço mecânico em um arco largo. Yun abaixou-se, sentindo o vento passar por cima de sua cabeça, e contra-atacou com um soco poderoso, usando a força física em vez da elétrica. O impacto foi forte, mas a armadura absorveu a maior parte do golpe.

Yun decidiu mudar de tática. Ele começou a criar pequenos campos eletromagnéticos, manipulando as cargas ao seu favor. Um dos robôs tentou atacar, mas Yun usou um campo eletromagnético para desviar o golpe, redirecionando a força contra outro oponente.

Outros dois robôs tentaram flanqueá-lo, atacando de ambos os lados. Yun saltou no ar, executando um giro acrobático que lhe permitiu evitar ambos os ataques, enquanto expandia seu campo eletromagnético. As armaduras começaram a falhar, as partes mecânicas lutando contra o campo criado por Yun.

Aterrissando graciosamente, ele continuou a manipular as forças ao seu redor, criando um caos controlado no campo de batalha. Os oponentes começaram a tropeçar e a se mover desajeitadamente, suas armaduras trabalhando contra eles. Yun aproveitou a confusão, desferindo golpes precisos nos pontos fracos das armaduras. Ele acertou as juntas e os conectores, causando danos internos que começaram a desmontar os trajes de dentro para fora.

Saki assistia, animada com a performance de Yun. — Isso que é entretenimento! — Ela gritou para Yun, entusiasmada. Kaho, embora mais reservada, também parecia animada ao assistir.

Yun derrubou o penúltimo oponente com um chute alto, quebrando o visor do capacete e fazendo a armadura cair no chão com um estrondo metálico. O último oponente, percebendo a derrota iminente, tentou um ataque desesperado. Yun, vendo uma abertura, canalizou toda a sua energia em um campo eletromagnético que começou a comprimir a armadura em torno do usuário, causando um grito final de dor e desespero.

O campo de testes estava silencioso, exceto pelo som dos trajes robóticos danificados. Yun respirava pesadamente, mas havia um sorriso divertido em seu rosto.

— Você fez um ótimo trabalho. — Disse Kaho. — Certamente, o desempenho dos trajes é uma coisa para olhar com os olhos alargados, no entanto, não se compara a força combativa de nenhum de nós.

Depois da eletrizante batalha contra os seis oponentes robóticos, Sōya surge repentinamente na área de teste. Com um sorriso desafiador no rosto, ele se aproximou de Yun, tirando a camisa e jogando-a de lado, revelando seus músculos bem definidos.

— Então, Yun... — Disse Sōya, esticando os braços e se aquecendo. — Quer tentar enfrentar um desafio de verdade?

Saki vibrou, a animação evidente em seus olhos. — Isso vai ser épico! Vamos lá, Yun, mostre do que é capaz!

Yun estreitou os olhos, avaliando a proposta. Ele sabia que o seu líder era uma montanha de músculos e habilidades, mas a provocação acendeu um fogo competitivo amalgamado a raiva e ressentimento por algo que não estava claro.

— Você está pedindo por isso. —  Respondeu Yun, sua cara fechada.

Yun e Sōya estavam no centro da área de teste com sangue e partes robóticas espalhadas por todos os lados, espaço iluminado por luzes fluorescentes, criando um ambiente austero e focado. Saki e Kaho observavam atentamente, cada uma reagindo de forma diferente à luta intensa que se desenrolaria à sua frente. Uma observando a luta com divertimento, gritava animada e saltitante, incentivando os lutadores. A outra permanecia em silêncio, seus olhos analisando cada movimento com uma calma imperturbável.

Os dois se encararam por um momento, o campo de teste imerso em uma tensão palpável. Sem aviso, Sōya avançou com um golpe direto. Yun esquivou-se para o lado, aproveitando a velocidade para desferir um soco rápido no flanco do maior. O impacto foi sólido, mas Sōya parecia quase não sentir.

O maior revidou com uma série de golpes pesados, seus movimentos rápidos e precisos. Yun desviava e bloqueava o melhor que podia, mas cada golpe de Sōya era como uma marreta, fazendo seus braços tremerem com a força. Sōya tentou um chute alto, mas Yun se abaixou, respondendo com um gancho de esquerda que atingiu o queixo do gigante a sua frente.

— Não tão mal. — Sōya comentou com um sorriso, antes de agarrar Yun pelo ombro e arremessá-lo no chão com um movimento rápido.

O menor rolou e se levantou rapidamente, já lançando uma série de chutes em direção ao maior. Seus movimentos eram rápidos e precisos, focando nos pontos fracos que ele conhecia. Sōya bloqueava a maioria dos golpes, mas Yun conseguiu acertar um chute lateral da sua costela, arrancando um gemido de dor.

Os chutes de Yun eram seguidos por uma sequência de socos rápidos, seus punhos se movendo como borrões. Sōya absorveu um dos socos no peito, recuando ligeiramente, mas mantendo o equilíbrio. Ele sentiu a força desmedida nos golpes de Yun, que parecia estar lutando com uma seriedade e intensidade incomum.

Sōya notou que ele estava respirando forte, faíscas de eletricidade escapando de seus lábios. Ele se perguntou o que poderia estar deixando o pequeno tão irritado, mas antes que pudesse formular uma resposta, o próprio verbalizou sua frustração. — Eu consigo ouvir o que você está pensando! E eu não estou irritado! — Gritou Yun claramente irritado, seu rosto ficando ainda mais vermelho de raiva.

Os golpes dele tornaram-se mais frenéticos, cada soco e chute carregado com uma força quase selvagem. Sōya começou a recuar, usando sua agilidade para evitar os ataques.

— Por que você está agindo assim? Qual o problema? — Perguntou, tentando alcançar Yun emocionalmente enquanto desviava dos golpes.

Ele não respondeu com palavras, mas sua expressão traía seu ciúme e frustração. Finalmente, Sōya viu uma abertura. Ele se moveu rapidamente, agarrando o braço de Yun e puxando-o para si. Com um movimento fluido, travou o corpo do menor contra o seu, obrigando-o a olhar diretamente em seus olhos.

— Ei, o que está acontecendo com você? Você tem estado diferente ultimamente, tem se afastado e me tratado com antipatia. — Perguntou, sua voz cheia de preocupação. Ele percebeu que os olhos de Yun estavam lacrimejando, o garoto tentando baixar a cabeça para esconder suas emoções. O pequeno tentava usar toda a sua força para se desvencilhar do agarre, soltando um grito de frustração.

— Deixe-me ir! — Gritou, tentando esconder o rosto.

Ele se libertou com um movimento brusco, acertando uma joelhada nas costelas de Sōya. No mesmo instante, uma descarga elétrica percorreu o corpo do maior a partir do joelho de Yun, deixando-o momentaneamente paralisado pela dor. Logo em seguida, Yun se afastou rapidamente, pisando fundo, saindo da área de teste sem dizer uma palavra.

Sōya tentava se manter em pé após o golpe. Saki observava com uma expressão confusa, sem entender a razão do que aconteceu ali. Kaho, por outro lado, permaneceu impassível, seus olhos tranquilos revelando que ela compreendia mais do que deixava transparecer.

Saki, que assistia a tudo com uma expressão confusa, comentou: — O que deu nele? Nunca vi o Yun tão irritado assim.

Sōya, ainda ofegante, olhou para Kaho e Saki, a procura de respostas. Kaho observou Sōya com olhos calmos. — Seja paciente com ele, Sōya. Às vezes, as pessoas precisam de tempo para enfrentar seus próprios demônios.

........

Longe dali, em uma sala de controle repleta de monitores, a Fantasma da Chuva observava calmamente o embate entre Sōya e Yun através das câmeras. Ela se mantinha serena, sua expressão impassível. A sala estava em penumbra, iluminada apenas pelo brilho das telas que exibiam as imagens em alta definição. Sentada em uma cadeira giratória, seus olhos passavam de uma tela para outra, absorvendo cada detalhe.

Ela analisava cada movimento de Yun, notando a intensidade emocional que transparecia em seus golpes. Ele estava cada vez mais dominado por suas emoções em relação a Sōya, e isso poderia se tornar um problema para ela no futuro.

— Você está se tornando um problema, Yun. — Murmurou ela para si mesma.

Yurei sabia que Sōya estava completamente preso a ela, não apenas pelo sentimento de lealdade e admiração, mas também pela paixão ardente que ele desenvolveu por ela. E a lealdade de Sōya para com ela era uma âncora que impedia Yun de agir contra seus interesses, por enquanto. Ela sabia manipular essa dinâmica a seu favor, mantendo Yun sob controle através da influência que exercia sobre Sōya.

Recostou-se na cadeira, seus olhos ainda observando as telas. Seu sorriso se ampliou ligeiramente, um brilho de satisfação dançando em seus olhos. Yurei era sagaz, sorrateira e profundamente manipuladora. Ela entendia as complexidades das emoções humanas e sabia exatamente como utilizá-las a seu favor.

— Ele nunca será capaz de abandonar Sōya. — Continuou Yurei, observando as faíscas de raiva nos olhos do Yun através das telas. E apesar de sua confiança em manter controle sobre a situação, ela sabia que as emoções podiam ser uma faca de dois gumes. — Mas vai chegar o momento em que ele vai buscar formas de tentar livrar ambos desta situação.

Ela sabia que precisaria ser cuidadosa, mas sentia-se confiante de que poderia manejar qualquer situação que surgisse.  

— Por enquanto, ainda consigo mantê-lo sob rédeas. — Murmurou para si mesma, sua voz suave e calculada, seus olhos fixos na tela que mostrava o jovem lutador com poderes elétricos saindo do campo de treino. — Mas continue lutando, meu pequeno. Eu estarei aqui, lhe esperando quando for a hora. — Sussurrou ela uma última vez para a tela, com um tom de voz quase carinhoso, gentil.

........

Soga, acompanhado por vários seguranças armados, conduzia Karin e Suigetsu agora em suas formas verdadeiras por um corredor iluminado por uma luz de cor vermelha intensa, criando uma atmosfera opressiva e inquietante. A tensão era palpável, e Karin não podia deixar de sentir um arrepio subir pela espinha.

Eles finalmente chegaram a uma área luxuosa de dois andares, com um imenso jardim de inverno ao centro, dominado por uma árvore gigantesca que se projetava para fora do prédio. O ambiente era uma combinação bizarra de beleza natural e decadência humana. Ao redor do jardim, grandes jaulas estavam espalhadas por toda o andar, onde homens e mulheres lutavam ferozmente. As lutas eram observadas por homens, mais dos políticos e empresários de outrora, que bebiam, sorriam, apostavam e se entregavam a uma euforia descontrolada.

Karin, observando tudo aquilo, relembra seu disfarce como Hanao. Não podia deixar de recordar as inúmeras pessoas que se submetiam àquele tratamento degradante em busca de alguns trocados. Muitos eram pais ou mães desesperados, arriscando suas vidas para conseguir algo para alimentar seus filhos. A maioria, no entanto, não tinha a sorte de sobreviver aos combates para receber sua comissão.

Soga, com seu olhar calculista, liderava o grupo enquanto subiam uma escada que os levava ao segundo andar, uma área ampla e predominantemente escura. O silêncio era quebrado apenas pelo som abafado das lutas e das apostas que ocorriam lá embaixo.

Ao chegarem, os três se sentaram em um longo assento concavo, estrategicamente posicionado para proporcionar uma visão de cima do jardim de inverno ao centro. Karin e Suigetsu mantinham a calma exterior, mas seus sentidos estavam em alerta máximo, prontos para qualquer coisa que pudesse acontecer.

Soga, observava-os com um olhar enigmático, sua esclera enegrecida refletindo a luz ambiente de forma perturbadora.

— Espero que estejam confortáveis. — Disse Soga, com um sorriso que não alcançava seus olhos. — Este é um lugar especial. Lá embaixo, vemos do que as pessoas são capazes quando levadas ao limite.

Karin manteve a postura, ocultando seu desconforto e nojo com que via. Suigetsu, ao seu lado, permanecia igualmente atento, seus olhos escaneando o ambiente, absorvendo cada detalhe.

— Vocês devem estar se perguntando por que os trouxe aqui. — Continuou Soga, sua voz carregada de superioridade. — Bem... O que acham desse espetáculo? Vidas jogadas em um ciclo de violência por um pouco de dinheiro. Fascinante, não é?

— É uma visão... interessante. — Respondeu Suigetsu, cuidadosamente escolhendo suas palavras. — Mas não foi por isso que nos trouxe aqui.

Soga riu baixinho, um som que fez a pele de Karin arrepiar.

A tensão no ar era palpável. Usuzumi Soga, com seu sorriso enigmático e olhar predatório, parecia divertir-se com a situação. Karin e Suigetsu, por outro lado, estavam em alerta máximo, cientes de que estavam em um terreno perigoso. Sentados na escuridão do segundo andar, a iluminação fraca realçava os contornos das formas esquisitas de fontes de chakra que apenas Karin podia perceber.

Soga quebrou o silêncio com uma voz suave, mas cheia de malícia.

— Vejo que vocês estão desconfortáveis, mas não precisam se preocupar. — Disse ele, seus olhos negros fixos nos dois. — A violência aqui é só para entretenimento. Vocês, por outro lado, são meus convidados de honra.

— Se esse é o seu jeito de nos fazer sentir bem-vindos, diria que falhou miseravelmente. — Disse Suigetsu, mantendo a voz firme.

Soga riu suavemente, um som frio e calculista sibilando de seus lábios.

— Eu confesso, Hōzuki Suigetsu, que estava ansioso para conhecê-lo. As histórias sobre suas habilidades com as espadas são fascinantes. — Ele olhou para Karin. — E você, Uzumaki Karin, uma presença inesperada, mas não menos intrigante.

Karin, tentando manter a compostura, respondeu com firmeza.

— E o que exatamente deseja de nós? Certamente não nos trouxe aqui apenas para sermos espectadores desse... espetáculo nojento assistido por um bando de vermes iguais a você.

Ele, inclinando-se para a frente, responde:

— Ah... Minha doce Uzumaki, você vai direto ao ponto. Gosto disso. A verdade é que vocês despertaram minha curiosidade. Dois dos mais notórios membros da equipe de Uchiha Sasuke, infiltrados em Amegakure. Deve haver um motivo para isso, e estou ansioso para descobri-lo. — Arqueando uma sobrancelha, continuou. — Certamente, não é apenas para uma visita social.

—  Talvez Amegakure tenha uma beleza exótica e sombria que nos atraiu. — Disse Suigetsu, o sarcasmo evidente.

Soga com um sorriso amplo no rosto, devolve:

— Ah, claro, turismo. Quem poderia resistir a uma vila tão... acolhedora quanto a nossa? Mas sejamos honestos, sei que vocês estão aqui por razões mais... substanciais.

— Não estamos aqui para causar problemas. — Disse Karin, franca. — Mas sabemos que Amegakure esconde uma gigantesca trama sob a chuva que dá seu nome. Tudo o que buscamos é evitar que Amegakure se torne um problema para o mundo futuramente e seja completamente suprimida por isso.

— Problemas são inevitáveis, pequena. A questão é quem controla a narrativa. Vocês dois, por exemplo, são uma parte intrigante da minha. — Seus olhos negros fixaram-se nos de Suigetsu. — E creio que saibam muito bem que qualquer ação precipitada aqui atrairia a atenção indesejada de certas... celebridades.

A Uzumaki sentiu um calafrio ao ouvir a implicação. Ela sabia que ele estava falando de Sasuke.

Suigetsu estreitou os olhos, tentando ler as intenções de Soga.

— Então, o que sugere? Estamos aqui em busca de Kyōkō, a guardiã da ‘Chave do Deus Morto’, escondido sob Amegakure. Sabemos que você pode nos levar até lá.

Soga sorriu enigmaticamente, seus olhos brilhando com astúcia.

— Ah, o grande segredo de Amegakure. Um segredo guardado pela casa Hanzaki. Vocês são mais ousados do que eu imaginava. — Ele fez uma pausa, observando as reações de Karin e Suigetsu. — Mas talvez, apenas talvez, eu possa ser persuadido a levá-los até lá.

Ela sentiu um frio na espinha, sabendo que ele estava tramando algo.

— E o que seria necessário para nos levar até lá? — Perguntou ela, mantendo a voz firme.

Soga olhou para os dois com um sorriso enigmático.

— Acredito que podemos chegar a um entendimento. Afinal, não posso simplesmente descartá-los. Me beneficiaria mais mantê-los vivos e ter a possibilidade de construir uma relação amigável com ninjas como Orochimaru ou Uchiha Sasuke.

Suigetsu e Karin trocaram olhares, entendendo que não tinham outra escolha. Eles assentiram, cientes do perigo que os aguardava.

— Muito bem. Temos um acordo — Disse Suigetsu, com firmeza.

O homem corpulento se levantou, ainda com aquele sorriso perturbador. Observava a dupla com um sorriso enigmático, enquanto a tensão no ar se tornava quase sufocante. Ele sabia que tinha o controle total da situação e planejava cada movimento com precisão meticulosa.

— Bem, meus caros, voltaremos a nos falar em breve. —  Disse ele, sua voz suave e cheia de malícia. —  Mas não posso simplesmente deixar que partam sem levantar suspeitas sobre mim, não é mesmo?

O segundo andar iluminou-se repentinamente, luzes fortes revelando uma visão aterradora: dezenas, talvez centenas, de mulheres em formas grotescas, mesclando carne e máquina, moldadas em design de animais. Algumas tinham asas metálicas, outras garras afiadas como lâminas, todas com olhos cobertos por capacetes, com pequenos fios elétricos visíveis pulsando de energia, indicando a ausência de vontade ou consciência própria.  

Usuzumi Soga, com um sorriso satisfeito, começou a se afastar, desaparecendo entre as criações de sua casa: as caçadoras. Mortíferas formas de vida, meio-homem e meio-máquina.

— Estamos sozinhos agora. — Murmurou Karin, seus olhos vermelhos brilhando com determinação.

Suigetsu assentiu, sua expressão séria.

A Uzumaki mal teve tempo de reagir quando uma mulher com asas metálicas de libélula apareceu em seu campo de visão, desferindo um golpe nas costelas de Karin com suas garras. Concentrando chakra na região, ela conseguiu mitigar o dano, mas ainda foi arremessada contra o peitoril de vidro e lançada com violência contra a grande árvore ao centro, caindo, por fim, no primeiro andar.

— Karin! — Gritou Suigetsu, a preocupação evidente em sua voz.

Mas ele não teve tempo de reagir, pois uma mulher cuja parte inferior simulava uma lacraia gigante atacou-o com velocidade e violência. O solo onde suas inúmeras patas pisavam era destruído com violência, criando um som ensurdecedor ao tocar as superfícies. E a parte superior da caçadora segurava um enorme venábulo que brilhava em um tom sinistro, que ela tentava acertar em Suigetsu, enquanto se movia de forma rápida e serpenteante pelo chão, paredes e teto.

Ele saltou para trás, evitando os ataques da caçadora, que cravou sua arma no chão, destruindo o solo e levantando uma nuvem de detritos. Com um movimento fluido, ele se desfez em uma poça líquida, desviando das pinças da caçadora lacraia que esmagaram o solo onde ele estava segundos antes. Reaparecendo em forma humana atrás dela, aproveitou a oportunidade para lançar um ataque rápido, cortando algumas das patas da caçadora com um ataque cortante a base de água.

A caçadora reagiu com rapidez, balançando sua arma em um arco largo. Ele, agora alerta, se desfez novamente em água, deixando a lâmina passar através dele sem causar danos.

Nesse momento, outras se aproveitaram da distração e atacaram simultaneamente. Ele contra-atacou com um poderoso golpe de água saído do seu corpo na forma de uma lâmina circula horizontal, cortando várias delas ao mesmo tempo.

Mesmo assim, mais delas continuaram a investir, cada uma mais mortal que a outra. Suigetsu, lutava com uma ferocidade desesperada. Ele se desfez em água repetidas vezes, desviando de golpes, absorvendo ataques e reformando-se para contra-atacar com precisão letal.

No andar inferior, o caos reinava. Homens desorientados gritavam tentando fugir, corpos dilacerados estavam espalhados e móveis destruídos. Karin já recuperada do golpe e da queda do segundo andar, desviava dos dardos gigantes de uma caçadora, que possuía um apêndice metálico ligado à coluna por onde lançava esses dardos. Ao mesmo tempo, a ruiva se distanciava das investidas rápidas de uma mulher cujas pernas metálicas pareciam as de um gafanhoto, com espinhos de metal projetando-se por toda a sua pele. Homens desesperados eram atingidos violentamente, enquanto ela, às vezes, era forçada a correr através da multidão desorientada.

De repente, a gafanhoto se lançou em sua direção com uma velocidade quase cegante. Karin mal teve tempo de reagir antes de ser atingida por um chute poderoso que a jogou contra uma parede. Ela se levantou rapidamente, ofegante, enquanto sua adversária se preparava para outro ataque. Com um impulso surpreendente, a caçadora pulou, suas pernas metálicas brilhando à luz fraca do ambiente. A ruiva se abaixou, rolando para o lado, sentindo o impacto do chute que destruiu o chão onde ela estava momentos antes.

Suas habilidades sensoriais estavam em alerta máximo, captando cada movimento ao seu redor. Ela não tinha tempo para pensar, apenas reagir.

Novamente no andar de cima, Suigetsu, agora grudado à parede, fluindo chakra pelos seus pés, encontrou uma brecha para pegar um pergaminho. Ele abriu-o e invocou a ‘Espada-Relâmpago, Kiba’. Ele expõe a longa katana com lâmina negra que tinha a frase “夜の静寂を引き裂く雷の音” (O som do trovão rasga o silêncio da noite) gravada em ambos os lados da lâmina. Usando a espada para pegar impulso, Suigetsu lançou-se contra a mulher com asas de libélula, dividindo-a do ombro até a cintura. Ele começou a desferir golpes poderosos e violentos contra várias outras caçadoras que reinvestiram contra ele, retalhando-as com imenso poder.

Uma mulher com cauda metálica de escorpião disparou uma saraivada de jatos de ácido que se espalhavam como pétalas no ar. Suigetsu desviou do ataque, aproximou-se e perfurou a cabeça dela, liberando uma poderosa explosão de relâmpago que destruiu a parte superior da caçadora e atingiu outras atrás dela.

Enquanto lutava, Suigetsu refletiu sobre a lendária Kiba, uma espada forjada em tempos imemoriais sob o céu de uma das ilhas do País da Água, recoberta por uma eterna tempestade de relâmpagos. Ele comentou em voz baixa que os mais antigos diziam que o ferreiro responsável pela criação desta arma selou mil anos da poderosa tempestade na lâmina, ao custo de um grande sacrifício para as gerações futuras de sua família. Cada descendente não conseguia viver além dos 28 anos, acometidos por uma doença genética que marcava a pele com marcas de raios antes de levá-los à morte.

“Ele renunciou a um futuro longo e próspero para seus descendentes para concluir o Fūinjutsu que tornaria a espada Kiba, a lâmina ofensivamente mais poderosa entre as ‘Sete Espadas da Névoa’.” Pensou.

Enquanto golpeava algumas outras caçadoras, a espada de Suigetsu liberava grandes fluxos de relâmpago que danificavam ou destruíam vários inimigos nos arredores simultaneamente. A cada movimento, os relâmpagos da espada criavam uma dança de destruição, retalhando e eletrificando os inimigos.

A mulher com chassi de lacraia atacou novamente, suas patas metálicas esmagando o solo e criando fissuras no chão. Ele, percebendo a aproximação, se lançou em um movimento rápido, transformando-se em água para evitar seu ataque inicial e desferir uma série de golpes ao longo do seu corpo, a lâmina carregada de energia cortando através da caçadora lacraia com uma força devastadora. O impacto foi tão poderoso que a caçadora foi partida em inúmeros pedaços, suas partes metálicas e orgânicas se separando em uma explosão de faíscas e fluidos.

Mas não havia tempo para comemorar. Ele foi pego desprevenido quando atingiu uma caçadora com braços e pernas robóticos, que escondia um "Às" na manga. O sangue esverdeado da criatura caiu sobre ele, gerando uma reação volátil ao entrar em contato com a água que compunha seu corpo. A fumaça resultante atordoou-o temporariamente pelo mau cheiro e pela irritação provocada em seus olhos.

Essa brecha permitiu que outra caçadora, com o corpo quase completamente robótico do pescoço para baixo, se aproximasse rapidamente. Com movimentos calculados, ela gerou uma reação explosiva gigante a partir dos seus braços. O impacto foi devastador, fazendo o segundo andar começar a desmoronar.

No andar de baixo, Karin estava em constante movimento, usando seus fios com precisão para se defender e atacar. Ela puxou uma cadeira com um fio de aço, posicionando-a como um escudo bem a tempo de bloquear um dardo que vinha em direção à sua cabeça. O impacto do dardo na cadeira ecoou pelo ambiente caótico.

Mas ela mal teve tempo de respirar quando detectou outra caçadora se aproximando por detrás. Essa caçadora possuía asas robóticas de vespa e lâminas afiadas projetando-se de seus pulsos como ferrões. Com um movimento ágil, ela desviou do ataque, girando no ar e envolvendo um fio de aço ao redor do pescoço da caçadora, degolando-a com precisão letal.

Antes que o corpo caísse ao chão, outra inimiga já surgia. Esta tinha braços que se transformados em pinças metálicas e afiadas, semelhantes às de um louva-a-deus. Ela atacou com golpes cortantes e rápidos, forçando a Uzumaki a desviar com agilidade. Ao mesmo tempo, a outra caçadora com o apêndice metálico ainda estava lançando dardos venenosos na direção dela.

Ela mantinha-se em movimento constante pelo salão, usando suas habilidades sensoriais para antecipar os ataques. Ela desviava dos golpes cortantes de uma, enquanto evitava os dardos venenosos.

A gafanhoto reaparece. Com um salto impressionante, ela alcançou a ruiva no ar, desferindo um chute lateral. Karin se defendeu envolvendo seu corpo de chakra, mas a força do impacto a jogou contra outra parede. Ofegante, ela se levantou novamente, apenas para ser atacada pela louva-a-deus.

A ruiva esquivava, sentindo a tensão em seus músculos. Ela sabia que a batalha estava longe de acabar, mas, por um momento, ela perdeu a compostura ao sentir o chakra do seu companheiro apresentar uma oscilação incomum.

— Suigetsu! — Gritou Karin, a voz cheia de pânico e desespero, enquanto olhava para cima, vendo os destroços caindo e tentando localizar seu companheiro. Parte do segundo andar estava desmoronando.

Suigetsu, ainda atordoado, tentou se recompor. Ele usou o pouco de visão que ainda tinha para detectar os movimentos das caçadoras restantes. A explosão tinha causado um caos ainda maior, com destroços caindo em todas as direções, atingindo tanto caçadoras quanto pessoas aleatórias que participavam do evento. O ambiente luxuoso agora estava em ruínas.

“Droga... isso está ficando complicado.” Pensou, tentando recuperar o controle da situação.

A explosão de alta temperatura o havia prejudicado, deixando-o temporariamente enfraquecido. Ele se apoiou na Katana, ofegante, enquanto observava a mesma mulher que havia causado a explosão se aproximar pelos escombros. O cheiro intenso de uma reação química enchia o ar, provavelmente originado das substâncias pulverizadas pelos braços robóticos daquela mulher.

Com uma expressão de dor e determinação, Suigetsu começou a condensar uma grande quantidade de chakra na lâmina da espada. Ele sabia que precisava agir rápido. E desapareceu de vista em um instante, sumindo em uma poça de água abaixo dos seus pés.

Karin estava exausta, sentindo o peso da batalha em cada fibra de seu corpo. Ela estava cercada por inúmeras caçadoras, cada uma mais ameaçadora que a outra. Suas opções de fuga estavam esgotadas. O pânico ameaçava tomar conta, mas ela manteve a cabeça erguida, determinada a lutar até o último suspiro, a morrer com honra. Mas antes que qualquer uma das caçadoras pudesse reagir, Suigetsu reapareceu ao lado da ruiva, pressionando-a contra seu peito musculoso.

— Fique comigo! — Murmurou ele, a voz grave e segura, enquanto se preparava para o golpe final.

No mesmo instante, a Katana enegrecida começou a emanar um brilho azulado e intensamente. Liberou um ataque poderoso, canalizando todo o seu chakra na lâmina. O som ensurdecedor de um trovão ecoou pelo salão, enquanto um relâmpago gigantesco se formava na espada, transformando-se em uma lâmina colossal de pura energia.

A lâmina relampejante cortou o ar, atravessando o salão com uma força avassaladora. A gigantesca árvore ao centro foi cortada com facilidade, seu tronco estilhaçado pela energia elétrica. O relâmpago continuou seu caminho, deixando um rastro de descargas elétricas poderosas que se espalharam por toda a área, atingindo tudo e todos no caminho.

As caçadoras, incapazes de resistir à força devastadora do ataque, foram pulverizadas pelas descargas, seus corpos mesclados de carne e máquina reduzidos a cinzas. Músculos, ossos e componentes robóticos foram destruídos em uma explosão de luz e som. A árvore gigante começou a cair, destruindo o restante do segundo andar e abrindo um grande buraco no teto, revelando o céu chuvoso de Amegakure.

— “Grande Predadora: Deus do Trovão, Divisor de Céus” (大捕食者: 雷神天裂きの術, Dai Hoshokusha: Raijin Tensaki no Jutsu) — Sibilou Suigetsu ao final, ofegante.

Karin olhou para o céu através do buraco, sentindo a chuva fria cair sobre seu rosto. O cenário final era uma visão aterradora: corpos destroçados, escombros espalhados por toda parte e a árvore gigante caída, com relâmpagos ainda crepitando em seus galhos.

Suigetsu, ainda segurando sua companheira, olhou ao redor, avaliando os danos. O silêncio que se seguiu ao ataque era opressor, apenas interrompido pelo som da chuva, a respiração de ambos e dos pequenos estalos de eletricidade.

— Precisamos sair daqui, agora. — Disse ele, a voz firme, mas gentil.

Karin, ainda ofegante, assentiu. E juntos, começaram a se mover para fora daquele inferno.
Permissões neste sub-fórum
Não podes responder a tópicos