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[Drama/Horror/Bio - Contos da Belamounier]

em Dom 21 Jan 2018, 20:01
Reputação da mensagem: 100% (3 votos)


Coleção de Contos baseados em fatos reais, porém apenas alguns trechos são verídicos dentro da história fictícia. "Degustem" um pouco desse empolgante conto. Perdão pelos erros gramaticais, em breve serão corrigidos.






Comentários: http://www.forumnsanimes.com/t73235-comentarios-contos-da-bl#1336803




Meia-noite.


Todos os dias quando a enfermeira adentrava ao número 50, não tinha sossego e paciência para as histórias fantasiosas da menina, sempre com a imaginação fértil e singular.

— Ele não tem rosto. Ele usa um capuz comprido e escuro, sou incapaz de alcançar a face daquela criatura. Ele flutua e arrasta o pânico de todos os quartos.
— E, o que ele é? —  perguntava todos os dias após os detalhes extravagantes —
— E-Eu não sei. Ele simplesmente existe, sempre a meia-noite.
— E, o que ele faz? —  a mesma pergunta de todos os dias —  
— Ele me observa e rouba a minha esperança. O fio de luz que ainda me sustenta nesse lugar.

O Horror passava em todos os quartos e destruía todos os sonhos, as fantasias, os devaneios, arrebatava a última ilusão das pequenas crianças. Mas, ele tinha um apego em especial à jovem; lídima, genuína. Assemelhava-se ao passado, aos anos 90, em que apreciou o amor incondicional, o amor que chegou ao fim por um estrangulamento à meia-noite.

A criança estava cansada das longas sessões e perguntas que o seu terapeuta insistia a todas às tardes, eram sempre as mesmas indagações: “Com quem você fala?”, “Qual o nome dele?”, “Por que não me apresenta a ele?”.  Aquele médico cuja as feições são sempre tão apáticas, os lábios finos e violáceos, e o olhar obscuro como se estivesse guardando a escuridão dentro de si. Ele a deixava intimidada, sempre a fitando lentamente, como os ponteiros de um relógio.

— Fale-me sobre os pesadelos.

A pequena fechou os olhos, e uma pequena lágrima desceu ao rosto abatido, os lábios desbotados abriam e fechavam, as palavras saíam em formas de ruídos. Não eram pesadelos! Tudo era real, ele existe. Ele sempre existirá, sempre abatendo as pobres almas que ali residiam. A mente finalmente abriu para os flashs que surgiam, e doíam como um nó apertado em um grande buraco negro no peito. Sempre era naquele instante que a criatura assombrosa infiltrava-se ao quarto do número 50. O quarto de segurança máxima. O quarto de um manicômio. A garota de pouco peso e escondida por um fino lençol branco, acordava às 23:59, os olhos vidrados ao teto branco e as pernas trêmulas rangendo à cama velha, as correntes esbranquiçadas eram fruto do medo e desespero da criança. A criatura aproximava-se da pequena todas às noites, a criança alimentava a criatura pelos pesadelos e sua ingenuidade, a sanidade mental da garotinha era o prato cheio para a criatura criar um vínculo especial à meia noite.

— Conte-me, detalhadamente.

Todas às noites a pequena jovem acordava apavorada e com falta de ar, e não conseguia adormecer até que a sensação desconfortante passasse, não conseguia raciocinar, apenas sentia um vento gélido ao corpo fraco, e a sombra rondando pelo quarto. E o mais assustador, era a voz tenebrosa como um cão zunindo. Em uma noite especial, a menina tentou fugir do vulto assombroso, correu ao banheiro e sentou-se à banheira, enquanto o ruído da água ocultava as vozes e os pensamentos importunos, o liquido esquentava o corpo esguio cheio de hematomas roxos às coxas. Deitou-se por completo à banheira, e a água cobriu totalmente o torso, faltando apenas a face pálida. Ouviu-se um baque à porta, e inevitavelmente fechou os olhos para evitar qualquer contato do horror, e logo sentiu algo forçando o corpo ao fundo da banheira, não conseguiu lutar contra aquela força bruta, sentiu a impossibilidade de respirar, e a água adentrava aos pulmões fracos. Por mais que tentasse, não conseguia. Quando abriu os olhos, o assombro foi embora. Sentou-se de forma frenética e temerosa, o coração acelerado, dando a sensação de sair pela boca.

— Oh, Deus... — sussurrou ao ver a água da banheira manchando-se de uma coloração cor de vinho —

O grito ecoou por todo o sanatório, sentiu a garganta arranhada pelo urro, e a sensação de ferrugem ao paladar. Sentia-se perturbada, louca, insana, os pensamentos tornaram-se cada vez mais obsessivos, os olhos vagos e abalados não conseguiam enxergar a realidade a frente, apenas vislumbrava o sangue manchando-se a pele alva. Sentia a dor tão forte dentro do peito, como se estivesse sendo torturada da pior forma possível, estava em estado de choque e o medo fechou todos os sentidos da garota.

Quando finalmente o coração retornou ao ritmo normal, a jovem levantou-se da banheira e despachou-se ao interior do quarto, a janela estava aberta e as cortinas batiam pela força do vento, o corpo sentiu a variação brusca e intensa de temperatura e caiu de joelhos ao lado da cama.Com muito esforço, ergueu os braços e levou às mãos até a beirada da cama, conseguiu subir à cama e aninhou-se aos lençóis. As lágrimas desceram pelas bochechas recém-rubras, e os soluços e gemidos de dor dominavam o quarto frio e solitário. Os pensamentos obsessivos e lembranças frequentes ao ocorrido não largavam a mente da pequena, a voz perversa acompanhada com o sorriso sádico apertavam o peito da menina como um nó. Sentiu-se enjoada, o líquido ácido do estomago subiu a laringe, as mãos da garota cobriam a boca, o coração voltou a bater freneticamente, medo, medo, medo. Odiava vomitar. O corpo dobrou-se e colocou a fora um liquido marrom escuro, sujando a si mesma e a cama.

Visualizou a cama, o quarto, o sangue arrastado da cama até a porta do banheiro. Estava enlouquecendo. O que estava acontecimento consigo mesma? Por qual motivo estava imaginando coisas? Ele, realmente existe? Por qual razão não consegue vê-lo? Preferia morrer do que continuar naquela aflição.

Gritou. Arranhou a garganta pelos berros amedrontados. Dessa vez o encarando, o desafiando a aparecer. A luz do banheiro piscou repetidamente vezes. Um desafio? Gritou novamente e engoliu as lágrimas que teimavam a limpar o rosto avermelhado de raiva. Tudo ficou escuro. O baque fechou a porta do banheiro, o horror cruzou em direção ao corpo da garota, tocando sua pele fresca e subindo em direção ao pescoço. Ela conseguiu sentir. Ele era real. Ele existia. Não estava louca. Sentiu a carne sendo rasgada pelas garras do horror, o sangue transbordava à cama e pingava ao chão. Sentiu o tronco queimar, como se um ferro quente estivesse infiltrando a carne, a visão ficou turva, e reconheceu o hálito de frescor de menta. Tão inesquecível. As balas de menta que eram oferecidas pelo seu terapeuta. Coincidência? Fechou os olhos. Imaginou o paraíso, o canto dos pássaros, o barulho calmo do mar, o cheiro doce das flores, imaginou-se correndo em direção ao mar, e sorriu ao imaginar a areia quente aos pés. Tão maravilhoso que esqueceu a dor e o sofrimento da insanidade mental.

Ao abrir os olhos tudo estava normal. Sem vômito, sangue, frio, luzes piscando, sombras, ruídos, vozes. Tudo completamente pleno a meia noite.


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Re: [Drama/Horror/Bio - Contos da Belamounier]

em Seg 12 Fev 2018, 02:39
Reputação da mensagem: 100% (1 votos)
A última gota de sangue.


“Nunca desejei me tornar um monstro.”

Em uma noite tempestuosa, aqueles olhos negros a fitavam sobre seu colo, os cabelos negros batiam ao rosto pálido diante de si. Observava o pequeno rosto e refulgente cabelos louros que contornavam a face delicada como um anjo. O corpo frágil debatia-se ao seu peito, era impossível parar de sugar aquele sangue tão puro, a sede era intensa e instintiva.

“Hoje a eternidade a tirou de mim.”

30 minutos atrás.

A estrada estava vazia tão como sua mente e seu coração acelerado, os dedos trêmulos sob o volante certificavam o medo que percorria o corpo coberto por um leve vestido branco que evidenciavam as curvas sedutoras.

“Não vou desistir de te salvar.”

Um estrondo instalou-se sob o capô do carro, a escuridão ocultava a visão embaçada por lágrimas da condutora, a boca abriu-se e apenas um sussurro instalou-se ao ambiente.

“Adeus...”

Fechou os olhos e entregou-se ao destino incerto. Os segundos passaram-se como a eternidade, a respiração ofegante denunciava o temor a sua frente.

“Perdoe-me...”

O forte rugido espalhou em migalhas de vidros, os braços fortes enlaçavam o corpo curvilíneo ao seu tronco, o olhar vibrante percorria todas as curvas, a língua comprida transitava-se à nuca, os músculos cardíacos da jovem bombeavam o sangue em grande pressão e as artérias esquentavam sob a pele gelada do monstro, a força de seus braços pressionavam cada vez mais o corpo tênue da jovem.

“Sangue...”

O ambiente tingiu-se de vermelho, os dentes afiados rasgavam a pele fresca e quente, o sangue inundava a garganta e as garras afiadas penetravam a delicada pele branca que perdeu o tom rosado.

“Finalmente...”

O monstro soltou o corpo sem vida sob os restos do carro, fitou as mãos cheias de sangue. Os olhos permaneceram vidrados, a respiração congelou, o corpo tremia e a mente mergulhava em um turbilhão de pensamentos ocultos que a transformação impedia de controlar-se.

“Nunca vou abandonar você...”

A mente insistia em mostrar os flashs, os sorrisos, aqueles olhos castanhos como o pôr do sol pegando fogo aos poucos.

“Eu sou um monstro...”

Afastou as mechas negras sob a metade do rosto, cicatrizes percorriam toda a extensão até o pescoço.

“Por que tem medo de amar?”

Os dedos alisavam as marcas espessas, os olhos castanhos admiravam cada centímetro daquela face que escondia os mais dolorosos segredos.

“Não tenho medo de amar, tenho medo de ficar sozinho por toda a eternidade...”

Os rostos estavam tão próximos. Ela sorriu e as palmas das mãos machucadas do monstro soavam, a sede arranhava a garganta e os olhos penetravam sob o pescoço alvo e os nervos pulsantes.

“Até a minha última gota de sangue...”

A última lembrança foi aquele abraço aconchegante, era como se fosse o calmante, o porto-seguro da criatura.


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Re: [Drama/Horror/Bio - Contos da Belamounier]

em Seg 12 Fev 2018, 18:00
Reputação da mensagem: 100% (1 votos)
Das trevas para a luz

Sabe quando você muda de ideia de uma hora a outra? Foi assim comigo.

Eu já sabia que não tinha tantas chances de sobreviver e caso ocorresse teria sequelas, e eu já estava com várias delas. Mas eu não pretendia ir em frente com elas, eu queria ir e abraçar a vontade dele, eu já não acreditava que no final tudo se resolve. Eu não sabia que dia era, hora, ano. Seria Dezembro ainda de 2008? Ou já estávamos em janeiro de 2009, fevereiro? março? Não sabia de nada. Não me contavam nada.

“Ela não parece estar sã”

Eu ouvi isso em vários momentos que acordava. Trocavam meu soro, olhavam as máquinas, o meu respirador, minhas ataduras. Eu sentia tanta dor quando acordava que preferia dormir. Eu tinha sonhos mágicos, ou melhor... Fantásticos. Então, por que o mundo real era tão sombrio?

Quando eu me sentia bem, levavam-me para realizar exames e outros procedimentos exaustivos. Lembro-me que estava com 1,60 de altura e pouco mais de 45kg, me via ao espelho: o rosto magro e cansado, o corpo exausto e cheio de marcas.

Não tinha tantas visitas assim. E eu já não queria vê-las. Eu ganhava muitas flores, cartões, ursos e outros presentes adoráveis. O telefone sempre tocava e minha família tentava ser o mais compreensiva comigo. Mas eu não sentia amor. Eu sentia uma frieza dentro de mim que me assustava, como eu poderia sentir nada? Eu não queria nada de ninguém! Nenhum sentimento de pena, olhar de compaixão, arrependimento ou qualquer outro afeto. Eu só queria ficar sozinha e tentar entender porque essa dor nunca passava.

Quando chegou o dia do azar.

O sistema do hospital desligou-se por alguns segundos e virou um caos, as enfermeiras não sabiam qual medicamento aplicar, ou de quem deveriam vigiar. Lembro-me de uma enfermeira super ansiosa entrando ao meu quarto, pediu que eu colaborasse com ela, pois deveria tomar banho, tomar os medicamentos e me alimentar. A obedeci sem perguntar nada.

No momento em que pisei o chão gelado, senti algo estranho. Pedi que me deixasse dormir, eu não estava sã. Ela disse que as coisas no hospital estavam ruins, e que se eu não obedecesse muitas pessoas iriam sofrer. Eu pedi que ela fosse embora, peguei um copo de vidro com água e joguei em sua direção, ela conseguiu escapar, então joguei a bandeja de ferro, pegou ao seu ombro.

Eu estava com tanto medo, enxerga monstros em minha mente, barulhos assombrosos, e sentia tanta dor. Eu só queria ficar sozinha e dormir um pouco, mas eu sempre queria dormir e esquecer o mundo real, não lembro quantos dias ou noites fique a cama, encolhida sentindo o corpo tremer de frio, as lágrimas amargas salgarem meus lábios e o vazio dentro de mim, sentia-me um oco por dentro, mas nada de bom que me fizesse sentir fé, esperança ou qualquer sentimento de determinação.

Depois de algum tempo, estava deitada ao colo da enfermeira e chorando. Sabe momentos em que se perdem na nossa memória ou se tornam confusos? Eu tive vários, então posso estar contando da ordem errada, ou simplesmente esquecendo de algo importante.

Ela injetou um medicamento para me acalmar. Fomos ao banheiro, mas assim que senti meus pés na umidez da água fria, meu corpo tremeu, meus olhos ficaram vidrados.

Eu tive convulsão. E o pior? Eu caí sobre o chão e não lembro-me de mais nada. Apenas são fatos relatados. Tive febre, voltei a escarrar sangue, e as dores que queimavam minha carne voltaram muito piores. Tomei medicamentos tão pesados, que eu só dormia, ou era tão agressiva. Pedia para morrer. Eu não queria mais viver naquela tortura, sentia náuseas, o cheiro da comida me enojava, ao beber água eu sentia o gosto do sangue e minha visão não estava tão límpida.

Não sei quanto tempo passou, ou se realmente passou, mas eu senti as mãos quentes e macias do meu pai acariciando meus cabelos finos e ralos. Seus olhos marejados de lágrimas e cheios de sofrimento diziam-me tanta coisa, mas ele apenas conseguiu dizer: “Vai ficar tudo bem, eu amo você e nunca vou te esquecer”.

Era um adeus. Eu apenas dizia para me desculpar, pois eu queria morrer. Os médicos não queriam que eu decidisse pela minha própria condição, eu não tinha consciência dos meus atos e pensamentos. Eles queriam me deixar sadia, mas isso não me importava. Não queria saber se eu estava me entregando a depressão, se estava desistindo dos meus sonhos, da minha família, dos meus amigos e da vida.

Tive dias que viraram semanas, e semanas que não terminavam. Eu acordava de manhã e dormia logo em seguida. Tive alguns diagnósticos duvidosos, remédios que foram dados a hora errada, ou eram fortes demais ou inúteis. Meu sistema imunológico atacava minhas células de defesa, e as poucas que tinham já não estavam cumprindo sua função. Era uma questão de tempo.

Eles esperavam que eu morresse dormindo, de ataque respiratório, ou que caísse ao chão novamente por ataque convulsivo. Eu odiava todos eles. Rejeitava a comida, a água, os remédios. Até que fui dopada e entubada.

E a consequência?

Um ataque respiratório fatal. Choques elétricos. Nada. Choques elétricos. Nada. Foram minutos. Mas os melhores da minha vida.

Eu sentia paz, alegria, alivio e uma felicidade tão grande. Eu ria, sorria, corria, girava, e enxergava tudo tão iluminado e embaçado. Parecia perfeito para mim. As dores foram embora, os remédios, os médicos, até a minha família que eu queria longe não estavam ali implorando que eu não desistisse ou simplesmente desistisse logo.

Mas a luz ficou tão forte, que eu quase me ceguei. Mas a melhor sensação do mundo estava ao meu peito. Eu estava bem, e muito bem. Eu estava com ele, o meu Salvador, quem eu não acreditava mais e ignorava, eu sei que estava com ele, me senti tão amada e protegida.

De repente tudo sumiu, eu não lembro de mais nada naquele momento, apenas as sensações mais prazerosas do mundo.

Acordei em um quarto, sem dor, um pouco cansada, mas uma nova pessoa. Até sorri.


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Re: [Drama/Horror/Bio - Contos da Belamounier]

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